domingo, maio 19, 2024
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Amsterdã proíbe construção de novos hotéis para frear turismo

Amsterdã, uma cidade conhecida por seus canais, arte do século 17, fácil acesso à maconha, tomou uma medida ousada em seus esforços para combater o turismo em massa. O Conselho Municipal anunciou uma proibição à construção de novos hotéis, com o objetivo de tornar a cidade mais habitável tanto para residentes quanto para visitantes. Essa decisão surge enquanto Amsterdã continua enfrentando desafios na gestão do número esmagador de turistas que visitam a cidade anualmente.

Pelas novas regras, um novo hotel só pode ser construído se outro for fechado, e o número total de quartos de hóspedes na cidade não pode aumentar. Além disso, o novo hotel deve oferecer valor agregado à cidade, como ser mais sustentável. A proibição se aplica à construção de hotéis futuros, pois a cidade já aprovou e está atualmente desenvolvendo 26 novos hotéis que atendem aos requisitos.

Impacto da Proibição de Hotéis no Turismo

Embora a proibição da construção de novos hotéis envie uma mensagem clara sobre o compromisso da cidade em reduzir o número de visitantes, seu impacto imediato pode ser limitado. Especialistas sugerem que a proibição por si só pode não diminuir significativamente o número de turistas, mas, quando combinada com outras medidas, poderia tornar Amsterdã um destino menos atraente.

Segundo dados da cidade, em 2019, houve 25,2 milhões de estadias em hotéis em Amsterdã, superando a meta da cidade de manter as estadias em hotéis abaixo de 20 milhões por ano. No entanto, esse número não inclui estadias em aluguéis de curta duração como o Airbnb ou visitantes diários que não pernoitam. Com quase 42.000 quartos de hotel que podem acomodar mais de 92.000 pessoas, Amsterdã tem uma capacidade significativa para atender aos turistas.

Alguns especialistas acreditam que a proibição pode ter consequências não intencionais, como tornar os hotéis mais caros a longo prazo. No entanto, os efeitos ainda serão vistos a longo prazo e como exatamente vai afetar a paisagem turística geral de Amsterdã.

Esforços Contínuos de Amsterdã para Limitar o Turismo

A proibição da construção de hotéis é apenas a mais recente de uma série de iniciativas da cidade para gerenciar o turismo em massa. Amsterdã tem tentado ativamente controlar as multidões em seu distrito da luz vermelha, que frequentemente perturba a vida diária dos residentes locais. Regras mais rígidas sobre maconha e a proibição de novas lojas turísticas também foram implementadas.

Além da proibição da construção de hotéis, Amsterdã também está limitando o número de cruzeiros fluviais autorizados a atracar na cidade. O objetivo é reduzir o número de visitantes e abordar preocupações relacionadas à poluição, emissões e superlotação. Até 2028, o governo local planeja reduzir pela metade o número de cruzeiros fluviais, potencialmente reduzindo o número de turistas em 271.000.

Embora esses esforços demonstrem o compromisso de Amsterdã em abordar o turismo em massa, especialistas enfatizam a complexidade do problema. Enquanto Amsterdã permanecer um importante hub de transporte europeu, gerenciar o turismo continuará sendo um desafio. No entanto, as iniciativas em andamento da cidade visam equilibrar a acomodação de visitantes e a preservação da qualidade de vida de seus residentes.

Amsterdã não é o único destino europeu lutando contra o turismo em massa. Veneza implementou taxas de entrada para visitantes que fazem bate-volta, e Sevilha considerou cobrar taxas de acesso a atrações populares. Nas Ilhas Canárias, os residentes organizaram protestos e greves para combater o turismo em massa. Esses exemplos destacam a natureza global do problema e a necessidade de soluções inovadoras.

À medida que o debate sobre a gestão do turismo se intensifica, a proibição de construção de hotéis em Amsterdã reforça o compromisso da cidade em encontrar um equilíbrio sustentável entre turismo e habitabilidade. Embora seu impacto imediato possa ser limitado, ela estabelece um precedente para outros destinos populares que lutam com o turismo em massa.

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