Publicado em: quinta-feira, 18/08/2011

Venezuela decide retirar reservas internacionais de bancos europeus

O governo venezuelano, liderado pelo presidente Hugo Chávez, anunciou que vai retirar suas reservas internacionais dos bancos europeus. A medida teria sido impulsionada pela instabilidade crescente da situação financeira em países da Europa e visa proteger os ativos do país. Em contraponto, Chávez declarou que pretende depositar a quantia, que giram em torno de U$6 bilhões, aos bancos do Brasil, da Rússia e da China. Essa possibilidade ainda está sendo estudada pelo governo.

Além do valor em dinheiro, a Venezuela tem aproximadamente 365 toneladas em reservas. O governo pretende transferir as barras gradativamente ao Banco Central do país. Ainda em tratamento contra câncer, o presidente afirmou em entrevista concedida por telefone que “nos anos 1980, o ouro venezuelano foi levado a outros países por exigência do Fundo Monetário Internacional. É uma medida saudável para o país trazer esse ouro. Vamos nacionalizar o ouro e vamos convertê-lo, entre outras coisas, em reservas internacionais.”

A oposição ao governo de Chávez, por outro lado, acredita que a medida pode gerar desconfiança entre os investidores. O deputador opositor Julio Montoya foi quem antecipou a divulgação da notícia nessa terça-feira (16) e defende que o governo deve explicar quais são os motivos para tomar tal atitude.

Em consequência disso, o Parlamento decidiu realizar uma sessão extraordinária para discutir a situação. De acordo com Montoya, isso pode demonstrar instabilidade ao fazer uma movimentação grande sem nenhum risco aparente à estabilidade dos ativos. Ao mesmo tempo, os países cotados para receberem as reservas internacionais da Venezuela estão todos no grupo dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).