Publicado em: quinta-feira, 31/01/2013

Vacina contra Aids vai ser testada em humanos na França

Vacina contra Aids vai ser testada em humanos na FrançaPesquisadores começarão durante as próximas semanas a realizar testes clínicos de uma vacina contra a Aids, na cidade Marselha, sul da França, contendo 48 voluntários que são soropositivos. O professor Erwann Loret anunciou isto durante a terça-feira (29).

Loret diz que não será o fim da Aids, mas é esperado que os cientistas possam substituir os coquetéis com antirretrovirais, que tem diversos efeitos colaterais sobre os pacientes e gera muitos incômodos.

O professor diz que o alvo é uma proteína que é chamada de Transativador de transcrição viral (Tat), que apresentou o teste autorizado pela Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM) no dia 24 de janeiro em um hospital da cidade de Marselha.

Em soropositivos, esta proteína tem a função de ser o guarda-costas de células que foram infectadas. Dessa forma, o organismo não vai conseguir que ela seja reconhecida, e dessa forma não poderá neutralizá-la, o que a vacina busca reverter.

Os pacientes que vão participar serão vacinados três vezes, com intervalo de mês entre as doses. Logo após, eles devem terminar o tratamento de coquetéis por dois meses.

Caso depois desse tempo, a taxa de vírus no sangue não for mais detectada, então o estudo vai cumprir critérios que o órgão das Nações Unidas focado no combae à Aids (OnuAids) estabeleceu, apontou Loret.

Se houver sucesso, 80 pessoas vão participar dos testes e metade vai tomar a vacina e outra apenas um placebo. Os cientistas vão alertar, no entanto, que vão ser necessários diversos anos para que se saiba se a vacina é realmente um avanço ou não.

Entre 25 a 26 testes de vacinas anti-HIV estão sendo realizados no planeta atualmente, apontou o professor Jean-François Delfraissy, que dirige a Agência Nacional de Pesquisas sobre a Aids (ANRS) na França.

Mesmo que seja animador, o anúncio vai exigir cautela apontou o professor, pois é necessário que haja prudência entre as mensagens que transmitimos para os pacientes e para o grande público. A presidente regional da associação francesa de combate à Aids (AIDES) Marie Suzan, também aponta que é necessário aguardar para ver o que irá acontecer com estes testes.