Publicado em: segunda-feira, 02/04/2012

UnB proíbe trote sujo e promete punições

Foi proibida pelo Conselho Universitário da UnB, a Universidade de Brasília, a prática do conhecido trote sujo, com a previsão de duras punições aos envolvidos. Segundo indicam as novas Normas de Convivência Universitária, o trote sujo se caracteriza por qualquer ação que envolva tortura, tratamento cruel, desumano ou degradante, além do constrangimento. A decisão foi firmada na noite do dia 30.

Já no começo do semestre, os rituais de iniciação aplicados aos calouros, geralmente torturas e castigos por parte dos veteranos, mascarados como brincadeiras, se repetiram em diversas instituições.

O relatório aprovado na última semana indica que os alunos envolvidos na prática estarão sujeitos às punições que estão previstas no Estatuto da Universidade. Entre os castigos estão desde advertência até expulsão, depois da abertura de um processo administrativo. O texto geral das Normas de Convivência Universitária já foi aprovado por unanimidade, mas alguns pontos ainda exigirão discussão, como por exemplo, a responsabilização dos centros acadêmicos pela prática do trote.

Embates

O DCE, Diretório Central dos Estudantes, se declarou contrário à punição para os Centros Acadêmicos. Nilton Locatelli, coordenador geral do DCE, afirmou que a prática do trote é integrante da vida acadêmica, sendo que deve ser permitida sem o uso da agressividade e assédio moral.

Locatelli comentou sobre a responsabilização dos CAs, lembrando que em muitos casos a ação é de iniciativa de um grupo pequeno de alunos, não relacionado com o Centro Acadêmico.

As normas também estão incluindo restrições para ocorrência de festas no interior dos Centros Acadêmicos com o consumo e venda de produtos alcoólicos. O coordenador geral do DCE destaca que esta norma pode acabar prejudicando a autonomia financeira dos CAs, já que a principal fonte de renda vem através da organização de eventos.
O DCE avalia que uma saída seria a autorização da faculdade para festa, sendo que a responsabilidade por eventuais danos ficasse a cargo do grupo que solicitou a autorização.