Publicado em: segunda-feira, 08/07/2013

UFC 162 – Anderson Silva brinca em luta e perde o cinturão

UFC 162No UFC 162 o brasileiro – com algumas exceções – está acostumado em parar tudo o que está fazendo para acompanhar um ídolo nacional de qualquer esporte. Há pouco tempo, a maioria da população não sabia o que era UFC, ficava perplexa com lutas sangrentas de vale tudo. De repente, tudo mudou, Anderson Silva, também conhecido como o “Spider”, popularizou o esporte por aqui e preencheu uma lacuna, vazia desde os tempos de Ayrton Senna na Fórmula 1. Agora, com a derrota na madrugada de sábado para domingo (8), amarga do jeito que foi, os torcedores experimentam novamente a sensação de ser órfão de um herói nacional.

Confiante ao extremo, o Spider foi ao octógono de Las Vegas para enfrentar o norte-americano Cris Weidman. A décima primeira defesa do cinturão dos pesos médios tinha algo diferente. Em 16 lutas consecutivas, Anderson usou de táticas provocativas para desgastar fisicamente seus oponentes. Mas, não funcionou desta vez. O americano acertou um soco, em cheio, no queixo do brasileiro, que estava com a guarda baixa. Fim da luta, por nocaute. E era só o segundo round.

Weidman estava cansado no fim do primeiro round, e tinha sido muito melhor. Anderson sambou demais, brincou e foi derrubado. Levou alguns golpes, mas conseguiu se recuperar e levantar. Um alerta. Seria o momento exato para Spider entrar para valer na luta, entender o risco de uma derrota humilhante. Apesar de tudo, não se sentiu intimidado e continuou a provocar. Mais de seis anos campeão. A autoconfiança dominou o campeão dos pesos médios. Autoconfiança, entendida como soberba pelos adversários.

Os rivais de combate, após a luta, passaram a criticar o agora ex-campeão. Na internet, sátiras, gifs e memes devolvem a provocação. Os brasileiros ficaram órfãos mais uma vez, só que com uma lição de perdedor, ao contrário de Senna – que inspira e ajuda crianças, mesmo depois de morto. Anderson Silva, 38, vivo. Com legado espetacular no UFC, o brasileiro constrói um episódio triste na memória dos torcedores.

Restam dez lutas para o fim do contrato – e provavelmente, da carreira do Spider. Se há tempo para treinar e recuperar o cinturão, difícil dizer. Mas, certamente há tempo para costurar a imagem de vencedor do maior ícone desse esporte. Força Spider!