Publicado em: sábado, 10/03/2012

Tiririca pode tirar votos do PT, dizem cientistas políticos

A última novidade das eleições municipais de São Paulo é a possível participação de Tiririca (PR-SP). A entrada do deputado federal na disputa à prefeitura de São Paulo deve acirrar a disputa, pois ele possui grandes chances de obter votos nas camadas populares. Em 2010 ele obteve 1,3 milhão de votos, o que pode se repetir nas eleições municipais da capital. Na última quinta-feira Tiririca disse que deixou o PR decidir sobre a sua possível participação na disputa municipal.

Na perspectiva de alguns cientistas políticos, a entrada do parlamentar na disputa será um problema para o PT. Segundo Valeriano Costa, cientista político e professor da Unicamp, o PT será o maior prejudicado na disputa. Além disso, ressaltou que Tiririca obterá votos entre os mais humildes, diminuindo as chances do PT arrecadar votos nessas localidades. Costa avalia que como Tiririca obteve muitos votos em 2010, pode mudar o ambiente político da capital em 2012.

Os membros da executiva do PR foram perguntados sobre a possibilidade de Tiririca concorrer às eleições de 2012, mas disseram apenas que não pretendem barrar seus filiados. Na perspectiva de Ricardo Caldas, professor de ciência política da UnB, para que o PR não lance um candidato, o PT precisará dialogar mais com o partido e apresentar boa moeda de troca para que Tiririca abandone a idéia de participar da disputa. Geralmente o partido oferece um ministério aos aliados, mas no caso de Tiririca, que faz muitos votos, isso é muito pouco para o PR.

Caldas avaliou que o objetivo do PR é ganhar visibilidade e essa seria a principal razão da entrada do parlamentar na disputa. A eleição paulista destaca os candidatos mesmo que eles não vençam em número de votos. Este ano os nomes que aparecem na disputa são de José Serra (PSDB), Gabriel Chalita (PMDB), Celso Russomanno (PRB) e Fernando Haddad (PT). Em entrevista, Tiririca argumentou que não se trata de estratégia do seu partido para ganhar destaque político nem de negociação do Ministério dos Transportes com o PT, mas sim do carinho do povo em querer que ele dispute a eleição.