Publicado em: quinta-feira, 13/03/2014

Thuram vem ao Brasil e fala sobre racismo no futebol

Thuram vem ao Brasil e fala sobre racismo no futebolO ex-zagueiro francês Lilian Thuram, atualmente com 42 anos, foi um dos palestrantes do Programa África Hoje, que acontece no Museu de Arte do Rio de Janeiro. Thuram, que estava na Seleção Francesa que conquistou o título da Copa do Mundo de 1998, aproveitou a ocasião para falar sobre o preconceito no futebol, que voltou a ser assunto após três casos noticiados recentemente – dois no Brasil, um no Peru.

Trajetória marcada

Em seus 17 anos atuando como jogador profissional, Thuram passou por poucas equipes: entre 1991 e 1996, defendeu o Monaco, da França. Entre 1996 e 2006 atuou no futebol italiano, primeiro por Parma, depois por Juventus. Sua carreira foi encerrada no Barcelona, onde jogou entre 2006 e 2008.

De acordo com o zagueiro, o período mais conturbado de sua carreira, em relação a ofensas raciais, aconteceu na Itália. Thuram afirmou que chegou a perder as contas de quantas vezes foi ofendido em campo, mas declarou ter sempre encarado o fato com tranquilidade.

Ceticismo

Atualmente, Lilian Thuram é um dos grandes nomes do esporte na luta contra o preconceito. Em 2013, o ex-zagueiro escreveu um livro que ressalta a importância de personagens negros na história mundial.

Com todo seu conhecimento do assunto, Thuram se mostrou cético no que diz respeito a uma melhoria no comportamento da torcida. O francês mencionou o atacante Mario Balotelli, atualmente no Milan, que já sofreu ofensas racistas em mais de uma ocasião. Thuram também duvida que alguma medida mais enérgica venha das federações de futebol, que têm uma tendência a evitar decisões radicais, que possam, de certa forma, “prejudicar” o espetáculo em campo.

Reação

Por isso, para o ídolo francês, a solução deve partir “de baixo”, ou seja, dos próprios jogadores. O francês se recordou de um caso envolvendo o próprio Mario Balotelli, em amistoso do Milan contra o Pro Patria, equipe da terceira divisão do futebol italiano. As equipes se enfrentaram em 2013 e, após repetidos insultos racistas dirigidos pela torcida do Pro Patria a Mario Balotelli, o atacante abandonou o campo, sendo acompanhado pelo restante da equipe. Para Thuram, esta é uma das atitudes que podem ajudar a acabar com o racismo no futebol.

Atualmente, Lilian Thuram dirige uma fundação que leva seu nome, com o objetivo de conscientizar a população contra o racismo, não apenas dentro dos gramados.

Casos recentes

O futebol brasileiro viveu três casos de racismo em um curto período de tempo: no Campeonato Gaúcho, o árbitro Márcio Chagas da Silva teve seu carro danificado por torcedores do Esportivo, que também ofenderam o juiz durante a partida. Na Libertadores, poucos dias depois, o volante Tinga foi ofendido pela torcida peruana do Real Garcilaso, em episódio que ainda não teve qualquer posicionamento da Conmebol.

O último caso relatado envolveu o volante Arouca, do Santos, em partida contra o Mogi Mirim, válida pelo Campeonato Paulista. As ofensas a Arouca foram captadas por microfones de veículos de imprensa e, no dia seguinte, o estádio do Mogi Mirim foi interditado.