Publicado em: quinta-feira, 08/03/2012

Taxa de juros cai para 9,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira, depois de uma longa reunião, que vai reduzir a Selic em 0,75 ponto percentual. A taxa básica de juros deve cair para 9,75% ao ano. Este é quinto corte seguido que a autoridade monetária fez para que o juro básico voltasse a um dígito. A última redução feita pelo Comitê para menos de 10% foi em abril de 2010, quando a Selic passou para 9,50%.

Em um pequeno comunicado divulgado depois da reunião pelo Copom, a entidade disse que está dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias e, por isso, resolveu reduzir a taxa Selic para 9,75% ao ano. A decisão por 0,75% teve cinco votos a favor e dois contra, que preferiam a redução de 0,5%. Em outras reuniões o corte também não foi unânime. Isso já ocorreu, por exemplo, em agosto passado. A redução de 0,50% também não foi consensual e cinco diretores optaram pelo corte, enquanto outros dois queriam a manutenção da taxa em 12,50%.

Com o cenário externo em crise e o baixo crescimento econômico do país divulgado pelo IBGE, esperava-se uma corte de 0,75%, ou seja, um movimento mais forte do Copom para melhorar o mercado nesta quarta-feira. No entanto, na última semana, em pesquisa feita pela Reuters, todos os 42 analistas consultados previam uma redução de somente 0,50%.

BC buscava Selic de um dígito

O BC já havia declarado, na ata da última reunião do Copom, em janeiro, que pretendia buscar uma Selic de um dígito. Essa redução acima do esperado pelos analistas busca estimular a atividade econômica. Devido ao fraco desempenho no ano passado, o governo quer garantir estímulos na economia para melhorar os resultados de 2012, quando se espera um PIB de 4% depois dos 2,7% de 2011.

O setor industrial é o que se apresenta mais fraco e necessita de juros baixos. O IBGE mostrou que a indústria teve a produção reduzida em 2,1% em janeiro ante dezembro. Essa foi a maior redução desde dezembro de 2008. Segundo Tombini, nos últimos três trimestres o Brasil cresceu abaixo do seu potencial, por isso que o BC está ajustando a taxa de juros. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, espera crescimento entre 4% e 4,5% neste ano.