Publicado em: quarta-feira, 28/03/2012

Síria estaria torturando e alvejando crianças, diz ONU

A alta comissária da ONU de direitos humanos, Navi Pillay, afirmou, em uma entrevista a BBC, que as forças da Síria estão alvejando e torturando crianças. Ela afirma que esta ação é o ato mais chocante que o governo do país teve em forma de reação aos protestos que assolam a Síria. “Temos provas, obtidas pela comissão de investigação, após falar com pais e vítimas, de que crianças levaram tiros no joelho, foram presas em condições desumanas, sem acesso a medicamentos, sendo alvo de brutalidade”, declarou Pillay à BBC.

Ela afirma que a justificativa do governo sírio de que existem “terroristas” no meio dos opositores não é uma alegação válida para que civis sejam atacados. “Isso é crime sob a lei internacional”, diz Pillay. A ONU estima que aproximadamente nove mil pessoas tenham sido assassinadas no país devido a forte repressão do governo as manifestações, que já acontecem há um ano.

Presidente responsável pelas mortes

Pillay afirma que existem provas que apontam para o fato de que os crimes feitos pelas forças da síria tenham recebido a autorização, além da cumplicidade, do governo. Ela afirma que o presidente sírio, Bashar al-Assad, poderia “simplesmente ordenar o fim das matanças”. Pillay declarou que Assad terá de responder ao Tribunal Penal Internacional devido às denúncias relacionadas a abuso de poder.

Em meio a onda de violência, o enviado especial da Onu e da Liga Árabe, Kofi Annan, propôs um plano de paz que foi aceito por Damasco. O plano de Annan deseja que os conflitos tenham fim de todas as partes envolvidas, além de garantir liberdade de acesso aos jornalistas nas áreas e também da ajuda humanitária aos necessitados, e a liberdade de protesto do povo sírio em seu país.