Publicado em: sexta-feira, 02/03/2012

”Sei que errei”, diz homem que rasgou as notas no Carnaval de SP

Tiago Faria, o homem que rasgou as notas da apuração do carnaval de São Paulo afirmou nesta quinta-feira (1) que comprou por R$70, no Sambódromo do Anhembi, a pulseira de acesso à área restrita aos diretores das escolas de samba. Ele negou ter participado de uma ação orquestrada para acabar com a apuração do carnaval paulistano, argumentando que invadiu o local onde as notas eram lidas por que se sentiu indignado. O rapaz admitiu que errou ao interferir na apuração. “Sei que eu errei. Vou pagar pelo que eu fiz”, garantiu.

Durante as investigações sobre o caso, a polícia levantou a hipótese se uma ação orquestrada entre os dirigentes de algumas escolas de samba para acabar com a apuração. Ao ser questionado se havia sido designado para isso, Tiago negou. “Não me julgando inteligente, mas eu teria que ser um pouco mais burro para eu ter isso na minha cabeça e estar com um boné da escola, com camiseta da escola. Na verdade o que manifestou ali em mim foi a indignação mesmo, foi aquela troca de jurados dois dias antes”, justificou-se.

Quanto à pulseira que usava, ele explicou que a comprou na frente do Sambódromo e garantiu não ser representante da escola Império de Casa Verde. “Quando eu cheguei lá, estava com a camiseta da escola, com boné da escola, pedi para sentar lá. Me senti meio deslocado. Eu tenho noção de que a escola foi prejudicada, que a imagem da escola foi prejudicada, mas isso serviu para o carnaval, mesmo que tenha denegrido a imagem do carnaval de São Paulo. O que eu queria era mais seriedade”, argumentou.

Ele rebate as acusações de dano ao patrimônio público. “Eu não danifiquei nada. Acho que dano ao patrimônio eu não consigo aceitar porque não foi isso que eu fiz. A supressão de documentos eu estou à disposição da Justiça. Sei que eu errei, vou pagar pelo que eu fiz. Tenho que aguardar a minha pena”, afirmou.

Confusão ocorreu na leitura dos últimos quesitos

O quebra-quebra generalizado interrompeu a apuração do carnaval de São Paulo, que acontecia na quarta-feira (21) no sambódromo do Anhembi. O tumulto começou com a invasão Tiago Faria, que correu até o local onde as notas estavam sendo lidas e rasgou os envelopes. Eram as últimas notas do último quesito, comissão de frente.

Além de impossibilidade de continuar a leitura dos pontos, torcedores ligados à escola Gaviões da Fiel atiraram objetos nos organizadores, derrubaram grades, invadiram o espaço restrito e incendiaram carros alegóricos que estavam na dispersão. Parte dos torcedores saiu do Anhembi e se dirigiu à Marginal Tietê, interditando a pista. Eles também destruíram placas que separavam o sambódromo da Marginal.

No momento em que a confusão começou, a Mocidade Alegre liderava a disputa, seguida pela Rosas de Ouro, Vai-Vai, Mancha Verde e Unidos de Vila Maria. A líder, que havia atingido nota máxima em todos os quesitos até então, precisava apenas de mais uma nota dez para se sagrar campeã. Somente horas mais tarde foi oficializada a vitória da Escola.