Publicado em: segunda-feira, 09/07/2012

Segundo professor da UNB, endividamento dificulta expansão do crédito

De acordo com um diagnóstico feito por Roberto Bocaccio Piscitell, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), o endividamento das famílias é crescente, mesmo com os programas de diminuição de juros implantados nos últimos meses. Segundo ele, as famílias ainda possuem um estoque de dívidas de longo prazo. Segundo ele, isso é um dos problemas que tem inviabilizado o crescimento econômico no país, pois as pessoas não podem comprar por terem dividas. Mesmo com a diminuição do IPI da linha branca e de materiais de construção a situação continua difícil para aumentar os investimentos das famílias.

Segundo ele, os dados do Banco Central mostram que nos últimos 12 meses houve um aumento do número de empréstimos pessoais em 18,3%. Esse é um número alto que mostra um crescimento acelerado que está distante da renda. Piscitell disse que essa situação tende a piorar ainda, já que tem aumentando a inadimplência. Segundo o professor a incorporação de gente comprando bens duráveis aumentará, mas isso será residual. Além disso, haverá um problema resultado da inadimplência que é o fato de as empresas prestarem mais atenção e diminuírem os prazos para financiamento, assim como pedirem maior valor da entrada. Segundo o professor, as empresas estão mais “seletivas” e isso, consequentemente, diminui a possibilidade de compra das famílias.

Brasil precisa de políticas duradouras para crescer de forma sustentável

Segundo Piscitell, mesmo com o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) ocorra em 2012, é necessário que o Brasil tenha políticas econômicas duradouras e não somente pontuais. Ele disse que o crescimento sustentável da economia necessita de mais crédito, além de investimentos na área de educação e inovação. Piscitell ressaltou que também é preciso uma reforma tributária e que, caso isso não ocorra, ele vê “nuvens carregadas” no país.