Publicado em: segunda-feira, 20/01/2014

São Paulo receberá caixas eletrônicos de bitcoins

A cidade de São Paulo será a primeira da América do Sul a ter um caixa eletrônico de bitcoins. O equipamento será instalado no Anhembi Parque, durante a Campus Party, evento que será realizado entre os dias 27 de janeiro e 2 de fevereiro. A iniciativa para a instalação do caixa eletrônico foi de Rodrigo Batista, diretor financeiro do Mercado Bitcoin. O objetivo é popularizar a moeda virtual no Brasil, aumentando sua aceitação. Hoje, os Estados Unidos e a China são os países que mais possuem transações realizadas com a moeda.

Funcionamento

Segundo Rodrigo Batista, o funcionamento do caixa eletrônico é bastante simples. Os usuários precisam apenas utilizar um código de sua carteira de bitcoins e fazer o depósito das cédulas. Por enquanto, o caixa eletrônico disponível na capital paulista só poderá fazer transações de reais para bitcoins. Cada operação é taxada em 2,5% no caixa eletrônico.

O caixa eletrônico foi adquirido pela empresa Mercado Bitcoin por U$10 mil (ou 42 bitcoins). O equipamento, fabricado pela Lamassu, será voltado inicialmente para os fãs de tecnologia, normalmente menos resistentes às novidades. Segundo Rodrigo Batista, o caixa eletrônico de bitcoins deverá “se pagar” – ou seja, dar U$10 mil em lucros para seus compradores – até o final de 2014.

Próximas instalações

Após a Campus Party, frequentada principalmente por fãs de tecnologia. A Mercado Bitcoin pretende instalar seu caixa eletrônico em outras regiões da capital paulista. Inicialmente, o objetivo é posicionar a máquina em regiões como Avenida Faria Lima e Avenida Paulista, grandes centros de finanças da capital. Dependendo da aceitação do caixa eletrônico de bitcoins pelo público, há a possibilidade de que a empresa invista em novas máquinas.

Situação legal

O bitcoin tem sido visto como uma moeda bastante controversa. Por um lado, os entusiastas de tecnologia defendem o modelo de utilização dos bitcoins, que não possui qualquer regulação governamental. Por outro lado, alguns países vêm impondo restrições aos bitcoins, exatamente por esta impossibilidade de fiscalização – e, por consequência, de taxações. No Brasil, a moeda ainda é vista com alguma desconfiança por possíveis investidores, que ainda esperam por um posicionamento mais claro do governo do país.

Recentemente, o Banco Central afirmou ter analisado o bitcoin, mas, por enquanto, considera que a moeda não é relevante para o sistema financeiro do país. Esta posição não deixou as coisas muito claras, mas ao menos deu a entender que o sistema financeiro do país não tentará impor restrições à utilização de bitcoins.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) tem uma opinião parecida com a do Banco Central. O órgão afirmou não ter editado qualquer regulamentação para moedas virtuais no Brasil, ou seja, o bitcoin segue sendo uma moeda livre também para a CVM.

Cotação

Os bitcoins já alcançaram picos de cotação que superaram a marca de U$1 mil. Contudo, em dezembro, após a China impedir a compra de bitcoins com moeda local, o valor da cotação despencou para cerca de U$500. Devido à pouca regulamentação e por se tratar de uma moeda nova, o bitcoin ainda passa por muitas oscilações de valor.