Publicado em: terça-feira, 28/02/2012

Rio de Janeiro: músico acusado de matar amiga é condenado a 14 anos de prisão

Bruno Kligierman Melo, de 28 anos, músico acusado de estrangular sua amiga Bárbara Chamun Calazans Laino, de 18 anos, foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio duplamente qualificado. A decisão do Júri Popular ocorreu no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), no início da madrugada desta terça-feira (28).

O crime ocorreu em outubro de 2009, no apartamento de Bruno, no Flamengo, na Zona Sul do Rio. Na época, ele alegou que havia fumado crack e ingerido bebida alcoólica. De acordo com a sentença, ele não poderá recorrer da decisão em liberdade.

A servidora pública Carmen Chamun, mãe da vítima, afirmou que desde o início estava confiante na Justiça. “De certo modo, a decisão conforta um pouco mais a família. Creio que o Bruno estava consciente de tudo o que fez. Ele cometeu um ato covarde, a meu ver, intencional, e, quiçá premeditado”, revelou Carmen.

Enquanto aguardava ser ouvido pelo júri, o músico pediu perdão à família da vítima. “Eu queria pedir perdão em primeiro lugar a Deus, em segundo lugar à família dela e em terceiro lugar a qualquer pessoa que possa se sentir ofendida ou agredida com esse fato. (…) Não vim pagar de bonzinho, só vim pedir uma chance de continuar me tratando”, disse ele, que há mais de dois anos está internado no Hospital Psiquiátrico Roberto de Medeiros, localizado no Complexo Penitenciário de Bangu, Zona Oeste do Rio.

Em seu depoimento, Bruno alegou que não se lembra de nada do que aconteceu no dia do crime, pois estaria sob efeito de drogas, depois de sair de uma comemoração na casa de um amigo. “Na época eu me drogava muito. Bebi, fumei e fui para casa. Me lembro que tinha um compromisso com a Bárbara de manhã. Um teste para figuração de novela. Marquei com ela de manhã na minha casa. A partir daí, me lembro de ter acordado e ter encontrado a Bárbara morta na minha casa. Pensei: fui eu, só tem eu aqui”, relatou. Ele e Bárbara tiveram um breve relacionamento, mas não chegaram a namorar. “A gente era amigo”, garantiu.

Além do réu, também foram ouvidos o produtor cultural Luiz Fernando Prôa, pai de Bruno, Rogério Borges, o policial militar que registrou a ocorrência e Sandra Greenhalgh, médica perita.

O laudo psiquiátrico de Bruno apresenta “transtorno de personalidade com instabilidade emocional e transtornos mentais decorrentes do uso de múltiplas drogas e de outras substâncias psicoativas”, mas esses transtornos “não guardam nexo causal com o delito do qual é acusado”. Consta também que na hora do crime não houve perda do juízo da realidade.