Publicado em: segunda-feira, 23/04/2012

Quantidade de famílias assentadas no país é o pior dos últimos 17 anos

O dia da Terra, comemorado ontem, surgiu faz três décadas depois de um protesto contra a poluição no mundo. Desde essa data, o mundo todo comemora o dia da Terra sempre em 22 de abril. No Brasil não seria diferente. No entanto, os dados atuais do país mostram uma realidade desanimadora sobre o assunto. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, este ano houve um aumento de mais de 50% na quantidade de mortes de trabalhadores rurais se comprado com 2011. Foram 12 trabalhadores vítimas de conflitos de terra somente este ano, conforme levantamento feito pela Comissão Pastoral da Terra.

Uma das críticas feitas pela Comissão é que o acesso a terra avançou muito lentamente neste primeiro ano do governo de Dilma Rousseff (PT). Dados já divulgados mostraram que 2011 foi o pior dos últimos 17 para a reforma agrária no país. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) disse que esse resultado contrariou a expectativa dos camponeses e dos movimentos sociais.

Se comparado o primeiro ano de Dilma com o mesmo período dos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 2011 foi o pior momento. No ano passado somente 22 mil famílias foram assentadas. Isso equivale a 51% de FHC em 1995, quando foram assentadas cerca de 42 mil famílias rurais. Se comparado com o governo Lula de 2003, Dilma alcançou 61%, quando Lula assentou aproximadamente 36 mil famílias.

Outro problema é a regulamentação das terras pertencentes aos quilombolas. Em 2011 foi registrada uma morte em decorrência deste conflito no estado do Maranhão. Estima-se que as mortes registradas na zona rural tenham sido a mando de fazendeiros. A Pastoral apresentou dados em que houve um aumento de 18% na quantidade de pessoas que sofrem ameaças de pistoleiros na zona rural. Em 1996 foram mortos 21 sem-terras no massacre de Eldorado dos Carajás e todos os anos no Movimento dos Sem Terra organiza manifestações para lembrar o episódio. Este ano o MST ocupou o Ministério do Desenvolvimento Agrário para pedir diálogo com o governo federal.