Publicado em: quarta-feira, 12/03/2014

PR: Reabertura da Estrada do Colono gera debate político e preocupação ambiental

Estrada do ColonoUm trecho de pouco mais de 17 km de estrada que corta o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR) está novamente dando o que falar. Conhecida como Estrada do Colono, a via que já foi até pavimentada foi diversas vezes fechada por decisões judiciais, entre questionamentos sobre a importância estratégica dela para o turismo e os possíveis danos causados ao meio ambiente.

E parece que este debate está longe de acabar. Após o último entrave, em 2003, quando moradores resolveram reabrir o caminho na mata por conta própria, a via foi novamente interditada pela polícia, uma série de ações na justiça solicitam a liberação da estrada. Quem comprou a briga foi o deputado federal Assis Couto (PT-PR), que é da região e apresentou um projeto de lei para a reabertura oficial da Estrada do Colono.

A PL 7.123/10 tramitou em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados, sendo aprovada sem precisar passar por votação no plenário, e agora está no Senado. Nesta esfera o projeto passará por três comissões e, se aprovada, segue para a sanção presidencial.

O caso dividiu os interessados no tema em dois grupos distintos. De um lado estão os favoráveis à reabertura imediata da Estrada do Colono, visando o direito da população local, e o outro afirmando que a decisão gera inúmeros riscos aos mais de 1,7 mil km quadrados de Mata Atlântica e à fauna.

Prós e contras

Para o deputado, os benefícios da reabertura da estrada se estenderiam até mesmo à questão da preservação, já que retiraria da região traficantes e caçadores ilegais, que se aproveitam da estrada fechada e sem fiscalização para realizar atos ilícitos.

O projeto de Assis Couto prevê vigilância integral da estrada, cancelas de entrada e saída e fechamento durante a noite. A circulação seria exclusiva de carros de passeio e ônibus de turismo. Já ambientalistas da ONG de proteção ao meio ambiente WWF garantem que os impactos de uma rodovia na região “mais sensível” da mata, onde há densa vegetação e fauna bastante variada, poderiam ser irreversíveis.

A Superintendência regional da Polícia Federal do Paraná também entrou no debate, declarando que a reabertura da rodovia abriria uma brecha para os criminosos, uma vez que ela já foi bastante utilizada para deslocar contrabando, armas, munições e drogas. Além disso, ela facilitaria a prática de crimes ambientais. Isso porque não há, segundo a Superintendência, recursos humanos, materiais e financeiros para garantir o controle adequado da movimentação.

O debate se expande com a alegação do deputado de que a reabertura da estrada elevaria a autoestima da população local, e fomentaria o turismo de aventura, por exemplo. Já os ambientalistas afirmam que a estrada poderia tirar do parque o título de Patrimônio Natural da Humanidade, gerando grande prejuízo para a imagem do país. Eles ainda acusam a proposta do deputado de ter caráter eleitoreiro.