Publicado em: sexta-feira, 14/02/2014

Por atos racistas, Garcilaso pode até ser excluído da Libertadores

Libertadores 2014Nesta quarta-feira, a partida entre Real Garcilaso e Cruzeiro, válida pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores, ficou marcada pelos atos racistas da torcida local contra o volante Tinga, do Cruzeiro. A cada toque que Tinga dava na bola, a torcida peruana imitava sons de macaco. A atitude foi repetida por diversas vezes ao longo do segundo tempo.

Após o término do jogo e a grande revolta da torcida do Cruzeiro e da imprensa especializada do Brasil, a Conmebol, responsável pela organização da Libertadores, informou através do Twitter que tinha conhecimento do caso, e que iria avaliar a situação para definir possíveis punições à equipe peruana.

Regulamento

O caso de racismo presenciado no Peru será julgado de acordo com o Regulamento Disciplinas da Conmebol, que permitiria, inclusive, que a equipe fosse desclassificada da competição.

O artigo 12 do Regulamento trata especificamente de atos de racismo no futebol. A sanção mais leve é uma multa de U$3 mil, equivalente a R$5 mil. Contudo, além desta punição leve, a equipe também pode ter outras sanções, como jogos com portões fechados, proibição de atuar em seu próprio estádio, perda dos pontos (que seriam atribuídos ao Cruzeiro) e até a desclassificação na Libertadores.

Tendência

Embora o Garcilaso possa ser expulso da Libertadores, o histórico da Conmebol aponta para o lado oposto. A entidade é conhecida por suas penas brandas, o que faz com que a Libertadores seja, até hoje, um torneio que dá margem para situações inadmissíveis no futebol. Em muitas partidas é possível, por exemplo, ver jogadores das equipes visitantes com proteção policial durante a cobrança de escanteios e laterais, devido ao grande número de objetos atirados pelas torcidas locais.

Outros problemas

Após o incidente em campo com Tinga, os dirigentes cruzeirenses desabafaram contra as péssimas condições oferecidas pelo Garcilaso para a partida. De acordo com Alexandre Mattos, um dos mais indignados, as atitudes da equipe peruana representam um retrocesso. Mattos chamou a equipe do Garcilaso de covarde, afirmando que o Cruzeiro tomará as providências necessárias, mas é a Conmebol quem deve resolver a situação.

Embora o caso de racismo tenha sido o maior problema na partida, o Cruzeiro passou por diversas outras situações complicadas desde que desembarcou no Peru. Durante o treino de reconhecimento do gramado, as luzes se apagaram após 20 minutos. Segundo os administradores do estádio, a falha aconteceu por falta de combustível no gerador.

No vestiário do estádio, durante o intervalo, a equipe do cruzeiro ficou sem água. Curiosamente, o fornecimento de água estava normal antes do início do jogo.

Próximo jogo

Devido às circunstâncias lamentáveis da primeira partida entre Cruzeiro e Garcilaso, foi criada uma grande expectativa para o jogo de volta. Brasileiros e peruanos voltam a se encontrar apenas na última rodada da fase de grupos da Libertadores, no Mineirão. O jogo será realizado apenas no dia 9 de março. Antes, o Cruzeiro ainda enfrenta as equipes do Defensor e do Universidad do Chile, tendo dois confrontos com cada uma delas.