Publicado em: segunda-feira, 25/06/2012

Policiais Civis são acusados de sequestros

Policiais civis das cidades de Campinas e São José dos Campos, em São Paulo, são acusados de manter reféns em delegacias de polícia como garantia para receber propina de traficantes e outros criminosos. Em reportagem veiculada neste domingo, o Fantástico mostrou vídeos de policiais civis gravados em 2008 que mostram pedidos de resgate de até R$ 100 mil. Os vídeos são parte de uma investigação do Ministério Público em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

No primeiro caso mostrado pela reportagem, vídeos foram gravados em uma delegacia de Campinas, no interior do estado, onde policiais pediram R$ 100 mil para evitar a prisão de diversas pessoas ligadas ao traficante José Agripino, que mantinha um laboratório de refino para produção de drogas.

As imagens mostram a visita do traficante a uma delegacia da Polícia Civil na cidade, onde ele foi recebido cordialmente pelos policiais. Em seguida, eles negociam o valor da propina a ser paga: o acordo final previa o pagamento em duas parcelas, sendo a primeira no mesmo dia, no valor de R$ 60 mil. A segunda parcela, de R$ 20 mil, seria paga em 30 dias. Para garantir o pagamento, uma mulher que acompanhava o traficante foi mantida refém na delegacia por sete horas.

Em São José dos Campos, um homem furtou dois celulares em um posto de gasolina. Ao retornar ao posto para abastecer um carro, dias depois, o criminoso foi reconhecido pelos donos do estabelecimento, que ligaram para a polícia. Ele foi levado a uma delegacia, onde os policiais exigiram o pagamento de R$ 20 mil para deixá-lo em liberdade. O criminoso foi mantido preso por cinco horas, quando concordou em deixar dois cheques como garantia de que o valor seria pago.

Punição para extorsão é rara

De acordo com levantamento realizado pelo Fantástico, a maior parte dos policiais acusados de extorsão continua em liberdade. Dados da corregedoria da Polícia Civil mostram que, dos 43 policiais acusados de aceitar propina no Estado de São Paulo, apenas três deles foram expulsos da Polícia Civil, quatro foram inocentados e os outros 36 continuam em liberdade. Muitos deles, inclusive, continuam a trabalhar em delegacias.