Publicado em: sexta-feira, 23/03/2012

Polícia gaúcha investiga professores que omitiram agressão contra aluno homossexual

Na região noroeste do Rio Grande do Sul, a Delegacia de Proteção à Criança a ao Adolescente de Santo Ângelo está investigando o caso de um estudante de 15 anos que teria sofrido agressões de um colega de sala de aula, com a suposta motivação por ser gay. Segundo a delegada Elaine Maria da Silva, nos próximos dias serão ouvidos professores que presenciaram a agressão.

O jovem relatou que um colega de sala o teria atingido com socos e pontapés no momento de saída do colégio, dia 13 de março. Ele também contou, há apenas um mês, sofria ofensas verbais de toda a turma, inclusive de professores da escola. A delegada declarou que o estudante confirmou o fato de que alguns professores acompanharam às ameaças e não teriam feito nada. O agressor, também de 15 anos, será ouvido e deverá cumprir medidas socioeducativas.

Divulgação do caso

O caso repercutiu na internet depois que o estudante agredido encaminhou um email à Associação Brasileira de Lésbicas, Gays e Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) relatando a história. “Eu tenho medo que aconteça alguma coisa comigo, eu queria que alguém me ajudasse! Antes que eu virasse mais nas estatísticas de LGBT mortos, às vezes eu sinto que ninguém gosta de mim e que a única solução pra mim é me matar”, declarou na mensagem.

Depois de registrar o Boletim de Ocorrência, os pais do estudante resolveram transferi-lo para uma instituição particular na cidade. Alejandro Jelvez, coordenador estadual do Comitê de Combate à Violência nas Escolas da Secretaria de Educação, se reuniu com uma equipe da diretoria da Escola onde ocorreu o caso e ficou definido apenas que os docentes envolvidos serão ouvidos para apuração de sua suposta negligência.

Jelvez ainda informou que irá promover palestras para professores da escola, com o objetivo de orientar como lidar com a violência e fornecer informações sobre homofobia. O coordenador também declarou que o estudante agredido e também o agressor irão receber um acompanhamento psicológico.