Publicado em: quarta-feira, 07/03/2012

Polícia do Distrito Federal identifica acusados de incendiar moradores de rua

De acordo com o delegado-chefe da 33ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, Guilherme Nogueira, um comerciante da cidade-satélite de Santa Maria (DF), teria pagado R$ 100 a um jovem de 19 anos para que ele colocasse fogo nos moradores de rua que dormiam próximos ao seu estabelecimento. Segundo informações da Polícia Civil, “para Daniel de Abreu [suposto mandante do crime], os indigentes estariam atrapalhando o comércio”.

Além do suposto mandante, outros três envolvidos nos caso também foram capturados pela polícia. Três pessoas ainda estão sendo procuradas. Dos sete que participaram do crime, dois seriam menores de idade. De acordo com a polícia, os suspeitos deverão responder por duplo homicídio qualificado, sendo um consumado e o outro tentado. As penas variam de 12 a 30 anos de prisão, e o suposto mandante pode responder também por corrupção de menores.

O crime aconteceu na noite do dia 25 de fevereiro em uma via pública de Santa Maria. Um dos mendigos queimados, de 26 anos, morreu no dia seguinte em decorrência queimaduras de terceiro grau que atingiram mais de 60% do seu corpo. O outro morador de rua, de 42 anos, continua internado no Hospital Regional da Asa Norte, em estado grave com 30% do corpo queimado.

De acordo com as testemunhas, por volta de 22h, um grupo de sete jovens passou no lugar onde estavam as vítimas e ateou fogo em um sofá velho que era usado por mendigos. Por volta das 23h30, três dos sete jovens voltaram de bicicleta ao local e incineraram os moradores de rua jogando um líquido inflamável não identificado em cima das vítimas, que estavam dormindo, e fugiram em seguida. Algumas pessoas tentaram ajudar os dois feridos, mas não conseguiram.

Crime lembra caso ocorrido há dez anos em Brasília

Um caso semelhante aconteceu em 1997, também no Distrito Federal, quando o índio Galdino de Jesus morreu após ter sido queimado por um grupo de jovens enquanto dormia em um ponto de ônibus. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte, com 95% do seu corpo queimado. Os cinco jovens foram presos e confessaram o crime justificando que foi apenas uma brincadeira.