Publicado em: quarta-feira, 29/02/2012

Polícia apura falha humana em acidente no Hopi Hari

O delegado Álvaro Santuci Noventa Júnior, de Vinhedo (SP), declarou na segunda-feira (27) que a principal hipótese para a causa do acidente no brinquedo em parque de diversão, que resultou na morte da adolescente Gabriella Yukari Nichimura, é a falha humana.

“Eu não queria adiantar nada, mas a meu ver é um pouco maior a porcentagem de falha humana do que a de falha do mecanismo do brinquedo”, declarou Noventa Júnior, depois da realização de uma nova perícia na atração La Tour Eiffel, conhecida também como “elevador”.

De acordo com o delegado, nos próximos dias serão identificados operadores das máquinas e outras pessoas que “deveriam zelar melhor pela manutenção”. Noventa Júnior ainda deverá ouvir os pais da vítima e uma prima que acompanhava a família no passeio.

Três pessoas já prestaram depoimento à Polícia Civil e afirmaram que a trava do brinquedo abriu durante a queda livre de 69,5 metros de altura. No momento da queda, a vítima esta a uma altura de 20 e 30 metros do chão. Apesar de ter sido socorrida imediatamente, já chegou morta ao Hospital Paulo Sacramento.

Os peritos da Polícia Civil, do Instituto de Criminalística e do Ministério Público do Estado de São Paulo realizaram diversos testes no brinquedo durante cerca de uma hora e meia, na tarde de ontem, terça feira (28). De acordo com os peritos o brinquedo não apresentou falhas mecânicas.

Por de uma nota oficial, o parque de diversões Hopi Hari reiterou sua cooperação integral com os órgãos responsáveis durante a apuração das causas e aproveitou para reafirmar o compromisso do estabelecimento com a segurança dos visitantes. Para os promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo, Rogério Sanches (Criminal) e Ana Beatriz Sampaio Silva Vieira (Consumidor), está clara uma sucessão de falhas no caso. Além da falha na trava de segurança, um cinto que funciona como equipamento de segurança completar não teve a função cumprida.

Outras especificações

De acordo com o promotor Rogério Sanches, existem duas possibilidades: ou Gabriella não usou cinto de segurança e o operador não exigiu que ela colocasse, ou cadeira sequer tinha cinto de segurança e isso foi ignorado.

“Hoje [segunda-feira] todas as cadeiras tinham cinto. Mas o acidente foi na sexta. E posso dizer que é praticamente certeza que a garota estava sem cinto, caso contrário não teria caído”, afirmou. O promotor trabalha com a hipótese de homicídio culposo. “Só estou analisando quem concorreu culposamente. Erro existe, quero saber quem, quantos, quando, como e em que grau erraram”.

Para a promotora Ana Beatriz, ficou claro para os peritos que a máquina funciona mesmo que a trava não estava adequada. “Não existe sinal sonoro, visual ou algum tipo de alerta que dê ao operador a informação de que o equipamento não travou. Fica pela checagem visual do funcionário. Se ele falha, o sistema sobe sem travar”, declarou a promotora.

A promotora instaurou um inquérito civil para avaliar questões gerais de segurança do parque, considerando o ponto de vista do consumidor. “Esse inquérito visa verificar se houve ou não negligência do parque na manutenção do brinquedo e tem caráter preventivo em relação a outros equipamentos”, explicou.