Publicado em: sábado, 25/02/2012

Pesquisadores criam gel para auxiliar tratamentos cardíacos

Pesquisadores da Universidade da Califórnia criaram um hidrogel que terá eficácia nos tratamentos cardíacos. Ele promete auxiliar na renovação do tecido do músculo do coração depois de um infarto. A pesquisa foi publicada no Journal of the American College of Cardiology.

O gel é produzido tendo como base o tecido conjuntivo cardíaco, que é retirado de células do coração através de um processo de limpeza. Depois disso é liofizado (processo de secagem com baixa temperatura), moído e liquefeito. Com as técnicas de laboratório se tornará um fluido injetável. De acordo com a líder da pesquisa Karen Christman, estima-se que ocorram 750 mil ataques cardíacos a cada ano nos Estados Unidos. No Brasil esse número também é alto. A Sociedade Brasileira de Cardiologia diz que são aproximadamente 320 mil mortes anuais por problemas no coração.

Para Luis Gowdak, membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), o infarto ocorre pela privação de oxigênio no coração. Quando o fluxo de oxigênio não é restabelecido de forma rápida, as células do órgão morrem. Depois, se o indivíduo sobrevive, fica com as sequelas: uma cicatriz e a diminuição da capacidade de contração do órgão. O hidrogel tem o papel de regenerar as células mortas para melhorar a capacidade cardíaca. Segundo o médico, esse produto faz parte da medicina regenerativa.

Hidrogel não causa rejeição do organismo

De acordo com as informações publicadas na revista, o hidrogel pode ser injetado por meio de um cateter. Este é um método prático e que dispensa cirurgia e anestesia geral. Para testar o uso do hidrogel e perceber se não haveria rejeição do organismo, os pesquisadores utilizaram tecido do coração de porcos para aplicar em ratos. Com essa experiência foi possível concluir que não houve reação negativa do organismo. Segundo Christman, para evitar rejeição, foram retiradas do gel todas as possíveis células que poderiam ser rejeitadas pelo organismo.