Publicado em: quarta-feira, 28/09/2011

Pesquisa indica que mais da metade população desconhece o vírus da hepatite C

A Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) realizou uma pesquisa junto ao Instituto Datafolha aonde mostra que 51% da população entrevista das 11 regiões metropolitanas do país não conhece o vírus da hepatite C. O estudo ainda aponta que 84% dos entrevistas ainda não realizaram o teste rápido que pode detectar a presença da doença. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (27) durando o evento de abertura do XXI Congresso Brasileiro de Hepatologia, que acontece em Salvador.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus da hepatite tipo C é considerado hoje o maior causador da doença e observado como a maior pandemia que se espalha com todo o mundo, com aproximadamente 170 milhões de pessoas e que mata pelo menos 1 milhão de pessoas todos os anos. A organização estima que o Brasil possui cerca de 4 milhões de pessoas doente, sendo que a maioria destes desconhece a presença da doença.

“O grau de desinformação sobre a doença é notório e preocupante. Nos últimos anos, temos buscado alertar a população, mas falta o governo participar mais desse processo, falta fazer o que foi feito com a divulgação sobre o HIV, quando a doença começou a ser conhecida. É preciso conscientizar médicos de todas as especialidades, por exemplo, a pedir a seus pacientes exames para detectar a hepatite C”, disse presidente da SBH, Raymundo Paraná.

O presidente da SBH indica que o principal motivo para a falta de informações sobre a hepatite C é que ela é uma doença silenciosa, que apresenta poucos sintomas. “É uma doença silenciosa, que evolui por décadas até começar a apresentar sintomas – quando o estágio já é avançado, podendo avançar para cirrose ou câncer de fígado”, explica. “Estamos diagnosticando, agora, casos de infecção das décadas de 1970 e 1980. A hepatite C responde, hoje, por 40% dos transplantes de fígado no Brasil”, afirma.

A SBH alerta que todas as pessoas que vivem no meio urbano e tenham realizado uma transfusão de sangue antes de 19943 ou tenham sido vacinadas com seringas de vidro realizem o teste. Na época, os exames sanguíneos não indicavam a presença do vírus, por isso, é relativamente comum que tem tenha se submetido e um deste procedimentos tenha a doença e não saiba.