Publicado em: sábado, 22/06/2013

Peixe ajuda a compreender como o coração consegue se regenerar

Peixe ajuda a compreender como o coração consegue se regenerarPesquisadores da Universidade da Califórnia, localizada em de San Diego, nos Estados Unidos, fizeram análise de um órgão específico do peixe-zebra – o coração – com objetivo de descobrir como funcionam os processos das células que contribuem para a regeneração cardíaca. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira, dia 20, pela revista chamada Nature, e no seu processo foram envolvidas células-tronco.

Os resultados mostram que nos casos de infarto, por exemplo, houve grande potencial de reparação por parte dos músculos depois que houve machucadura nos ventrículos que são as câmaras inferiores existentes no coração. Os ventrículos são, normalmente, a região que mais sofre danos quando ocorre ataque do coração.

Entre as principais causas e morte atualmente, está a insuficiência do coração, que é provocada por uma arritmia grave ou infarto. Isso ocorre porque o coração das espécies mamíferas são incapazes de produzir células novas e de conseguir trocar o tecido que foi danificado. Do outro lado, estão os invertebrados de menor tamanho, como ocorre com o peixe-zebra, que tem capacidade de regenerar as fibras dos músculos dos ventrículos, denominadas cardiomiócitos, depois de sofrer uma lesão.

Ruilin Zhang e Neil Chi que estiveram à frente da pesquisa, acreditam que há diversas linhas celulares existentes no coração desta espécie de peixes que tem maior capacidade de mudar e virar outras células. Isso ocorre devido ao fato das células musculares localizadas nos átrios – que são as câmaras superiores do coração – ajudam no processo de recuperação dos ventrículos.

Durante a pesquisa, os estudiosos geraram uma falha na genética dos animais que deixou o músculo o coração destruído e, depois, os cientistas fizeram o rastreamento do cardiomiócitos nos átrios e ventrículos utilizando proteínas que são fluorescentes.

Feito isso, eles utilizaram método que mapeia a genética e conseguiram descobrir que os cardiomiócitos existentes no átrio tinham a capacidade de virar cardiomiócitos existentes ventrículos, por um processo de que chama transdiferenciação. Este processo acontece em situações que a célula especializada e diferenciada sofre uma violação e se transforma em célula de outro tipo.

O pesquisador Chi afirma que é preciso verificar se este processo poderá funcionar de maneira parecida nos humanos. Mas, o certo é que este trabalho já ajudou a ciência a entender como esta regeneração poderá mudar o que acontecerá com um músculo cardíaco depois de um infarto.