Publicado em: sábado, 01/02/2014

Para Joaquim Barbosa, sistema prisional brasileiro é um inferno

Para Joaquim Barbosa, sistema prisional brasileiro é um infernoO ministro Joaquim Barbosa, atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em conferência na Universidade King’s College, em Londres, que o sistema prisional brasileiro “é um inferno”. Tal declaração foi realizada em frente de uma plateia composta por mais de 250 convidados.

O acontecimento ocorreu quando o presidente foi levado à expressar a sua opinião sobre as prisões brasileiras e sua atual situação. Segundo o ministro, a precariedade que é atribuída ao sistema prisional brasileiro é resultado da falta de investimento e vontade política dos governantes locais. “As prisões (no Brasil) são como o inferno. Os políticos não se importam, pois das mesmas não há nenhum retorno político: votos”, declara o presidente em meio à palestra que foi realizada e promovida pelo departamento de estudos brasileiros do King’s Brazil Institute.

Além disso, Barbosa ainda define o sistema prisional brasileiro como um horror, quando afirma que o governo federal, que é quem deveria tomar rédeas nisso, não assume nada mais do que um papel limitado e pequeno nas prisões. Para tornar o pensamento claro, o presidente explica que as prisões brasileiras estão sobre o controle dos governos estaduais, que infelizmente só estão à procura de dividendos políticos.

Mesmo assim, o presidente optou por não citar nenhum nome de governante enquanto dizia que as prisões brasileiras estavam sob o controle de organizações criminosas.
Com o intuito de comprovar a sua visão sobre o sistema prisional brasileiro, Barbosa aproveita para exemplificar com o caso da Central de Custódia de Presos de Justiça de Pedrinhas, no Maranhão, considerado o complexo penitenciário mais violento de todo o Brasil onde no ano de 2013 mais de 60 presos morreram pelos motivos que já são claros no Brasil: infraestrutura precária e superlotação do ambiente das celas. Segundo ele, a situação é aterrorizante mas não se limita ao estado do Maranhão, “mas não pensem que isso só acontece no Maranhão. São locais onde há a absoluta ausência de poder do Estado”.