Publicado em: sábado, 03/03/2012

Operador de La Tour Eiffel afirma ter sido pressionado por gerentes do Hopi Hari

Um funcionário do brinquedo La Tour Eiffel, do parque Hopi Hari, onde morreu a adolescentes Gabriela Nichimura, no último dia 24, declarou a Polícia Civil e ao Ministério Público de Vinhedo (SP) que se sentiu pressionado pelos gerentes do parque de diversão na segunda feira seguinte ao acidente.

Vitor Igor Spinuci de Oliveira é um dos operadores da La Tour Eiffel. Ele afirmou para seus advogados, Bichir Ale Bichir e Vinícius Ale Bichir, que foi levado para uma reunião com uma advogada e dois gerentes na segunda feira. Os dois funcionários teriam entregue a Oliveira um texto, solicitando que o funcionário copiasse do próprio punho e assinasse em seguida. O documento era uma declaração, onde Oliveira afirmava que teria feito o treinamento necessário para operar a máquina.

De acordo com um dos advogados de Oliveira, o modelo do texto possuía datas retroativas, mas afirma que o operador colocou no documento que escreveu de próprio punho a data do dia 27, segunda feira. “Meu cliente disse ter se sentido pressionado principalmente pelos funcionários superiores para a assinatura desse documento”, revela o advogado do operador. A defesa de Oliveira não divulgou nomes de outros operadores ou superiores.

Alberto Zacharias Toron, advogado do parque Hopi Hari, confirmou que uma advogada de sua equipe solicitou a presença de Oliveira para obter informações sobre o dia do acidente. “O que posso, sim, confirmar é que minha colega conversou com as pessoas envolvidas para saber o que havia ocorrido”, disse. “Mas eu desconheço a existência desse documento, até porque ele não precisaria assinar nada porque todos os funcionários que entram no parque recebem um treinamento dividido em três fases, uma de palestras, outra de uma leitura acompanhada e uma terceira, em campo, com supervisão de funcionário experiente”, declarou Toron.

Os oito meses que Vitor trabalha no parque, sempre foram no brinquedo La Tour Eiffel. De acordo com seus advogados, ele confirma ter passado pela etapa de leitura do manual com cinco páginas e uma parte prática, mas sem nenhuma orientação técnica. “Ele disse que o que chamam de treinamento é algo muito precário”, disse Bichir Júnior.

Álvaro Santucci Noventa Júnior, o delegado de Vinhedo, responsável pelo caso, afirmou que a partir de segunda-feira (5) ouvirá outros operadores, supervisores e gerentes do parque, que permanecerá fechado por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para perícia em outros brinquedos além de onde aconteceu o acidente.

Revelações na investigação

Na última quarta feira (29) a Polícia e a Promotoria descobriram, através de uma fotografia levada pela família da vítima, que Gabriela havia se sentado em uma cadeira que não deveria ser utilizada, já que estava inoperante a pelo menos dez anos. O brinquedo possui cinco setores, com quatro cadeiras cada um. Dois estão desativados completamente, no setor três, a primeira cadeira da esquerda para a direita era a inutilizada. O parque justificava a inutilização devido à localização do assento, já que quem se sentasse ali, caso possuísse um formatura física maior, poderia esbarrar as pernas na estrutura metálica.

A cadeira não indicava nenhum aviso e estava permanentemente travada. Na sexta feira, dia 24, por uma falha de manutenção já assumida pelo parque, a trava abriu, permitindo que Gabriela ocupasse o lugar. De acordo com o delegado, depois de ter ouvido o depoimento de Oliveira, em nenhum momento o funcionário afirmou saber que a cadeira não poderia ter sido usada. “Ele disse que ele fiscalizava outro setor no momento que Gabriela sentou-se na cadeira que deveria estar interditada. Provavelmente, o fato de ela sentar-se ali passou despercebido por todos eles [operadores]”, disse Noventa Júnior.