Publicado em: quarta-feira, 07/03/2012

Operador de brinquedo que matou menina trabalhava no Hopi Hari há 20 dias

Nesta terça-feira (6), um dos operadores do brinquedo La Tour Eiffel do parque Hopi Hari, Marco Antonio Tomás Leal, 18 anos, disse em seu depoimento à polícia que não recebeu treinamento específico para trabalhar na atração e que estava na função há apenas 20 dias. Gabriella Nichimura, 14 anos, morreu no dia 24 de fevereiro após despencar do brinquedo em questão.

“O treinamento dele foi ler um manual e se aconselhar com os funcionários antigos. Não houve treinamento específico”, revelou Ale Bichir Júnior, advogado do operador. Ele disse ainda que seu cliente estava cuidando de outros setores do brinquedo quando o acidente aconteceu.

Para o delegado Álvaro Sancucci, responsável pelo caso, se a declaração sobre o treinamento for verdadeira, o parque deverá ser responsabilizado, pois o treinamento seria insuficiente. “Não pode só botar alguém lá com a leitura de um manual. Se for isso, é um ato muito falho da direção do parque”, afirmou.

Vitor Igor Spinucci de Oliveira, outro funcionário do brinquedo, havia contado à polícia que 15 minutos antes da abertura da atração, foi notado que a cadeira em que Gabriela sentou apresentava uma falha. Um superior teria sido avisado, mas nenhum dos operadores recebeu ordem para parar o brinquedo e ainda teriam sido orientados de prosseguir com o trabalho até que uma equipe de manutenção fosse verificar a situação. Já o advogado do parque disse que os funcionários deveriam então parar o brinquedo. “Essas pessoas tinham obrigação de impedir o uso dessa cadeira. Essa é a questão que não pode ficar escamoteada. Não é querer colocar culpa em alguém. Mas há um procedimento de segurança em todos os brinquedos que deve ser respeitado”.

Em perícia feita no início desta semana, descobriu-se que a cadeira tinha uma trava de emergência. Entretanto, o delegado não soube informar se essa trava poderia ter evitado o acidente se tivesse sido acionada. O operador Marco Antônio, disse em seu depoimento que “desconhece a existência do dispositivo”, demonstrando despreparo no treinamento. “É uma falha relevante, e o parque pode ser responsabilizado caso o treinamento não tenha sido amplo”, disse o delegado.

Outros três operadores da La Tour Eiffel ainda devem ser ouvidos. Caso haja inconsistência entre os depoimentos, uma acareação entre os cinco operadores deverá ser marcada. Já o advogado do parque, Alberto Toron, reafirmou que o treinamento tem três fases e prepara os funcionários adequadamente. “O treinamento não se resumia à simples leitura do manual. Tinha três fases, sendo que a terceira era em campo, ao lado de funcionários mais experientes”, garantiu.