Publicado em: sábado, 03/03/2012

Operador de brinquedo no Hopi Hari diz que foi pressionado por gerentes

Vitor Igor Spinucci de Oliveira, um dos funcionários do brinquedo La Tour Eiffel, atração do parque Hopi Hari que matou a adolescente Gabriela Nichimura na sexta-feira (24), contou à Polícia Civil e ao Ministério Público de Vinhedo (SP) que teria se sentido pressionado por gerentes do parque na segunda-feira após o acidente. Ele disse a seus advogados que foi levado para uma reunião com uma advogada e dois gerentes no início da semana e dois superiores teriam entregue um texto, pedindo ao operador para copiá-lo e assiná-lo. Esse documento era uma declaração de que ele havia realizado o treinamento necessário para operar o brinquedo.

Alberto Zacharias Toron, advogado do parque confirmou que uma advogada de sua equipe chamou os funcionários para saber informações sobre o dia do acidente. “O que posso, sim, confirmar é que minha colega conversou com as pessoas envolvidas para saber o que havia ocorrido […] Mas eu desconheço a existência desse documento, até porque ele não precisaria assinar nada porque todos os funcionários que entram no parque recebem um treinamento dividido em três fases, uma de palestras, outra de uma leitura acompanhada e uma terceira, em campo, com supervisão de funcionário experiente”, garantiu o advogado.

Vitor trabalha no parque há oito meses e sempre na La Tour Eiffel. De acordo com um de seus advogados, ele confirma a leitura de um manual contendo cinco páginas e uma etapa prática, entretanto sem orientação técnica. “Ele disse que o que chamam de treinamento é algo muito precário”, disse. Segundo o operador, no dia do acidente, 15 minutos antes da abertura dos portões do parque, um outro funcionário teria notado que a trava da cadeira que deveria estar inoperante, estava solta, de modo que uma pessoa poderia abri-la e sentar-se no local.

Ele teria avisado outra operadora, que teria informado um superior sobre o ocorrido. De acordo com os operadores, nenhum deles recebeu ordem para parar o brinquedo e ainda teriam sido orientados de prosseguir com o trabalho até que uma equipe de manutenção fosse verificar a situação. Já o advogado do parque disse que os funcionários deveriam então parar o brinquedo. “Essas pessoas tinham obrigação de impedir o uso dessa cadeira. Essa é a questão que não pode ficar escamoteada. Não é querer colocar culpa em alguém. Mas há um procedimento de segurança em todos os brinquedos que deve ser respeitado”.

Cadeira utilizada por Gabriela estava inoperante há anos

Segundo o delegado de Vinhedo, Álvaro Santucci Noventa Júnior, o gerente do parque recebeu com surpresa a notícia de que a cadeira inoperante em que Gabriela sentou teria sido usada. “Ele disse que ficou surpreso como nós porque sequer sabia que aquela cadeira havia sido utilizada”, afirmou. Sanches reforça a hipótese se falha humana. “O Hopi Hari não contesta o que foi descoberto. A investigação agora ganha contornos mais complexos, porque faltou vigilância, uma vez que aquela cadeira jamais deveria ter sido usada”, explicou.

Apesar de não ter nenhum aviso sobre a cadeira estar inoperante, ela nunca era usada porque as travas de segurança ficavam sempre abaixadas, impedindo que alguém sentasse ali. O advogado Alberto Toron disse que o Hopi Hari, assumiu que houve um erro. “Agora é preciso descobrir de quem foi a falha na manutenção, que levou ao desbloqueio da cadeira, e no atendimento ao público, por permissão para uso daquela cadeira”, esclareceu o advogado, completando que o parque irá colaborar com as investigações. “A verdadeira questão é saber quem liberou a trava”, afirmou.

A trava de segurança usada pelos visitantes existia também na cadeira inoperante, e era o que a fechava permanentemente, porém o cinto usado como segundo dispositivo de segurança não existia ali. O cinto foi uma exigência feita pelo fabricante (suíço) em 2003. “Mas ao menos desde 2002 a cadeira não funcionava. Acreditando que a cadeira não seria utilizada, o parque não colocou o cinto naquele assento”, afirmou promotor.

Parque permanecerá fechado para perícia

Após reunião com o Ministério Público o Hopi Hari informou que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado e por isso o parque ficará fechado por 10 dias a partir desta sexta-feira (2) para a vistoria nos brinquedos, principalmente os que possuem sistema eletromecânico. “A diretoria do parque concordou prontamente porque tem plena consciência da correção dos seus procedimentos”, informou o advogado. A partir da segunda-feira (5) operadores de outros brinquedos, supervisores e gerentes do parque serão ouvidos.