ONU cobra Brasil por mortes em abortos de risco
Em encontro realizado em Genebra, na Suíça, na última sexta-feira (17), a ONU criticou a legislação brasileira sobre aborto. A entidade questionou o alto número de mulheres que morrem em cirurgias clandestinas anualmente.
Os peritos da ONU acusam o Executivo de não dar atenção para os 200 mil óbitos de mulheres gerados por aborto inseguro. Segundo a ONU, o Brasil precisa superar suas diferenças políticas e de opinião para resolver este problema, pois o Estado precisa garantir a saúde da mulher.
Uma das peritas, a suíça Patricia Schulz, questionou sobre o que o governo brasileiro vai fazer com esse problema enorme que possui. O aborto está entre as cinco principais causas de morte entre as mulheres no país. O objetivo da sessão do comitê era apresentar um relatório sobre a questão da mulher no Brasil e a ONU não poupou criticas a situação brasileira.
Criminalização do aborto eleva número de mortes, dizem especialistas
Os especialistas da ONU argumentam que a criminalização do aborto está ligada a essa alta taxa de mortes que ocorre anualmente. Mas, embora muitas críticas tenham sido feitas aos números apresentados, a ministra da Secretaria de Políticas para a Mulher, Eleonora Menicucci, não falou muito sobre o assunto. Disse apenas que há um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional e que as autoridades brasileiras reconhecem o problema e a responsabilidade de prevenir as mortes. Ao transferir a responsabilidade para o Congresso Nacional, Menicucci foi novamente questionada pelos peritos, que queriam saber a posição do Estado brasileiro em relação ao assunto.
Menicucci garantiu que apresentaria à ONU as “diretrizes do governo” e não falaria de suas convicções pessoais. A discussão sobre o assunto é pressionada pela CNBB e parte do Congresso, mas em março a ONU publicará recomendações ao Brasil, a partir dos dados que foram discutidos na reunião.
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