Publicado em: sexta-feira, 30/03/2012

OEA recebe denúncia contra o Brasil por causa do caso Vladimir Herzog

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) recebeu a denúncia contra o Brasil para que se investiguem as reais circunstâncias da morte do jornalista Vladimir Herzog. Ele foi assassinado em 1975, em São Paulo, nas propriedades do Exército. De acordo com a denúncia, o Brasil não fez o seu papel para investigar o caso, processar e punir aqueles que cometeram o crime contra o jornalista.

O Itamaraty afirma que foi comunicado sobre a denúncia pela OEA na terça-feira (27) e afirma que uma resposta ao caso já está sendo preparada. O país já foi condenado pelo organismo internacional por omitir os crimes da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985. O caso de Herzog foi levado a OEA pelas entidades de direitos humanos como a Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), pelo Instituto Vladimir Herzog e pelo Grupo Tortura Nunca Mais.

Caso Herzog

O assassinato de Vladimir Herzog foi colocado novamente em pauta no começo do mês de fevereiro, depois que o jornal Folha de S. Paulo revelou em uma de suas reportagens a identidade do fotógrafo que fez a imagem do jornalismo morto. A reportagem revelou que o fotógrafo usado pela ditadura para registrar o momento por Silvaldo Leung. De acordo com uma declaração do fotógrafo, a cena que mostra um suicídio foi manipulada.

Leung, que na época era estudante da Academia da Polícia Civil de São Paulo, afirmou que não possuía liberdade alguma para tirar fotos do corpo de Herzog, e afirma que sofreu perseguição. Autoridades brasileiras, como o ministro José Eduardo Cardozo, após a reportagem do jornal, decidiram que o caso deveria ser investigado novamente.