Publicado em: segunda-feira, 10/03/2014

Não haverá censura ao Facebook e YouTube na Turquia, segundo o governo federal

Não haverá censura ao Facebook e YouTube na Turquia, segundo o governo federalO primeiro-ministro Tayyip Erdogan até se descontrolou, tentou se impor e ameaçar, mas teve seu ímpeto contido. Após a divulgação na internet de um vídeo onde Erdogan brada impropérios contra o dono de um jornal local, pedindo a demissão de jornalistas, ele ameaçou banir o Facebook e o YouTube da Turquia. Esta seria também uma forma de evitar a propagação de suposto material que revela esquemas de corrupção e outros crimes por Erdogan e seus próximos.

Porém, o presidente da Turquia, Abdullah Gul, descartou qualquer hipótese de suspensão aos dois sites, em anúncio realizado na última sexta-feira (6). Ele fez questão de ressaltar que a liberdade de expressão jamais pode ser posta de lado por interesses pessoais ou políticos. Na Turquia há uma lei que permite o bloqueio do acesso a materiais nos dois sites, caso haja violação da privacidade de uma pessoa.

A postura do presidente, entretanto, não muda o fato de que essa postura do primeiro-ministro é uma demonstração de seu estilo autoritário, aumentando a preocupação com o cerceamento da liberdade de imprensa em solo turco. Erdogan agora acusa um ex aliado político de ter forjado as gravações divulgadas.

Na noite anterior ao anúncio presidencial, o primeiro-ministro afirmou em um canal de televisão que o governo estaria determinado a banir Facebook e YouTube depois das eleições locais, em 30 de março, e que tais medidas seriam tomadas “da forma mais forte”. As falas não geraram qualquer reação imediata por parte do Facebook e do YouTube.

Histórico de posturas autoritárias

O YouTube ficou proibido na Turquia por mais de dois anos, até 2010, também por motivos políticos. Na ocasião, foram postados vídeos considerados insultantes ao fundador da República, Mustafa Kemal Ataturk. Além disso, o governo turco reforçou o controle da internet recentemente, sob a alegação de defender a privacidade dos internautas.

Como as redes sociais vêm sendo utilizadas para a divulgação de supostos casos de corrupção, especialmente envolvendo Tayyip Erdogan, críticos e opositores afirmam que a nova lei sobre a internet visa abafar as denúncias, classificadas pelo primeiro-ministro como estratégias para desestabilizar o governo.