Publicado em: sexta-feira, 21/03/2014

Na semana da luta contra a discriminação racial, demonstrações de racismo se espalham pelo país

Na semana da luta contra a discriminação racial, demonstrações de racismo se espalham pelo paísOs recentes casos de intolerância racial que ganharam mais destaque no Brasil, contra o jogador Tinga, do Cruzeiro, e contra o árbitro gaúcho Marcio Chagas da Silva, escancararam uma realidade de intolerância presente em todos os níveis da sociedade brasileira. Para o ministro da Educação, Henrique Paim, é preciso que a indignação se transforme em postura eficaz no combate ao preconceito. O discurso foi feito nesta sexta-feira (21), que marca o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

Paim afirmou que as estratégias de conscientização contra o racismo devem partir já das salas de aula da educação infantil. Segundo ele, as escolas têm uma função importante também nesse tipo de ensinamento, uma vez que a criança inicia a interação social com pessoas fora do circulo familiar ali.

O ministro participou do lançamento de materiais pedagógicos sobre história e cultura africana que, segundo ele, precisa ser mais valorizada no país. Paim afirmou que este material deixará um grande legado na educação social brasileira. Ele estará disponível em 32 mil escolas de todo o país, e foi produzido em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O representante da Unesco no Brasil, Lucien Muñoz, salientou que a discriminação racial é uma afronta à dignidade da pessoa e aos direitos humanos, e que a propagação do conhecimento facilita as relações entre culturas diferentes e desenvolve o respeito. Segundo ele, a estratégia de produzir conhecimentos sobre a cultura da África tem sido adotada nos últimos anos e tem dado bons resultados.

Excesso de liberdade na web

Apesar do potencial para a divulgação de boas posturas e de ideias positivas, as redes sociais têm surgido como um facilitador de propagação de posturas discriminatórias. Não é incomum ver pessoas realizando postagens com opiniões perturbadoras sobre questões raciais, religiosas e étnicas. A pouca fiscalização no que é publicado na rede contribui para esses casos, e segundo especialistas do setor de informática as ações de repressão ainda são insuficientes.