Publicado em: quarta-feira, 14/03/2012

MST ocupa agências do Banco do Brasil em diversas cidades paranaenses

Adeptos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam diversas agências do Banco do Brasil em cidades do Paraná. De acordo com o coordenador do setor de produções do MST, Jean Carlo Pereira, os ocupantes querem ser recebidos pelas gerências regionais, com o objetivo para discutir um tópico que inclui assuntos, como por exemplo, a renegociação de dívidas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e assistência técnica para as famílias assentadas.

A ocupação iniciou ontem, na terça feira (13), devendo durar até a próxima quinta feira. “Precisamos viabilizar a construção de um crédito diferenciado para a agricultura familiar, além do Pronaf. Este programa tem atendido mais o grande e o médio produtor, já que impõe muitas condições, o que dificulta a liberação do crédito para quem, por exemplo, se dedica a agroecologia”, explicou Jean.

De acordo com Pereira, existe ainda muita burocracia para a obtenção de crédito para a agricultura no âmbito da família, dificultando também no momento de refinanciar a dívida. Esses empecilhos dificilmente acontecem com grandes produtores e exportadores.

Os agricultores brigam para que antigas dívidas, que foram adquiridas há mais de dez anos, possam ser renegociadas. Entretanto, de acordo com Pereira, isso é bastante difícil de ocorrer, porque em muitos casos, a dívida é terceirizada pela instituição financeira.
Ontem, as ocupações de ontem estavam programas para as agências bancárias das cidades de Lapa, Ponta Grossa, Cascavel, Ivaiporã, Londrina, Quedas do Iguaçú, Laranjeiras do Sul, Pitanga, Manoel Ribas, Jardim Alegre e Querência do Norte.

A assessoria do Banco do Brasil informou que está marcada para a próxima quinta feira, amanhã (15), na cidade de Curitiba, um encontre os integrantes do Movimento e a superintendência da instituição bancária.

A ação do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra se trata de um movimento social, com inspiração marxista, que luta pela reforma agrária no Brasil. O Movimento surgiu em 1980, defendendo que a expansão agrícola contribuiu para eximir as pequenas e médias unidades agrícolas, contribuindo para a concentração de terra no país.

Em paralelo, o modelo de reforma agrária que o regime militar adotou dava prioridade a “colonização” de terras, como áreas ao longo da Rodovia Transamazônica, com a intenção de exportar os excedentes da população, contribuindo para a integração do território.