Publicado em: quinta-feira, 29/03/2012

Movimento negro quer cotas para bolsas no exterior

Depois da realização de uma reunião com o presidente em exercício, o deputado Marco Maia, representantes da ONG Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro) foram até o Senado Federal ontem, segunda feira (26), para se posicionar a favor da adoção de cotas em favor dos afrodescendentes e de populações carentes no programa federal Ciência sem Fronteiras, que oferta bolsas educacionais nas áreas de pós-graduação, como: mestrado, doutorado e pós-doutorado em instituições fora do país.

Uma audiência, aberta ao público, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado já teve o assunto como tema de discussão. Desde o começo deste ano, cerca de mil e quinhentos candidatos foram beneficiados com bolsas em instituições de ensino superior dos Estados Unidos e do Canadá pelo programa. A expectativa é de que até o final do ano este número alcance 20 mil. O programa tem a proposta de conceder cem mil bolsas até o ano de 2015.

A ONG Educafro aponta que a população afro brasileira acaba ficando em uma situação desigual em iniciativas como esta. O programa é mantido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com a participação do MEC.
Solicitações

A ONG cobra medidas pontuais do governo, que eliminem as disparidades de direitos que foram acumuladas ao longo da história, de forma a garantir uma compensação das perdas resultantes de discriminação. A Educafro tem a intenção de reunir 100 mil assinatura para fortalecer a luta em busca da inclusão de negros no Ciência sem Fronteiras.

Guilherme Sales, diretor de Engenharia do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), acredita que existe a intenção dos setores relacionados com o Ciência sem Fronteiras de se envolver com os representantes dessa população, com a proposta de diminuir as disparidades que dificultam a inclusão no programa.

Já frei David Santos, responsável pela ONG, os representantes políticos dos governos e do Congresso estão trabalhando no desenho um novo Brasil, reduzindo as disparidades existentes na sociedade. Ainda assim, o frei lembra que alguns integrantes do Executivo têm dificultado a ascensão dessa população.