Publicado em: segunda-feira, 05/03/2012

Motorista é indiciado por morte de ciclista em São Paulo

Reginaldo Francisco dos Santos, motorista que atropelou a ciclista Juliana Dias, de 33 anos, pagou fiança pelo crime e irá responder em liberdade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O acidente aconteceu na última sexta-feira (2) na Avenida Paulista, centro de São Paulo. De acordo com a polícia, houve imprudência ou negligência na ultrapassagem que feita pelo motorista.

O veículo dirigido por Reginaldo teria saído do corredor reservado para o tráfego de ônibus ao realizar uma ultrapassagem, quando passou pela bicicleta de Juliana. Então ela se desequilibrou e caiu. Um outro ônibus que seguia pelo corredor a atropelou. O motorista do segundo ônibus, que atropelou a ciclista, não irá responder criminalmente, já que a polícia entendeu que ele não teve qualquer culpa no que aconteceu.

De acordo com testemunhas, a ciclista Juliana pedalava entre a faixa preferencial do ônibus (à direita) e a faixa de carros. Ela teria discutido com o motorista de um ônibus e por conta disso, perdeu o equilíbrio e caiu, sendo atropelada por outro ônibus.

Protestos tomaram as ruas em que o acidente ocorreu

Na noite desta sexta-feira (2), mais de cem pessoas participaram de um protesto na Avenida Paulista, São Paulo, contra a violência no trânsito e a imprudência de motoristas em relação aos ciclistas. O protesto foi marcado através de redes sociais e foi realizado na Praça da Bicicleta, próximo à Rua da Consolação, local que já foi palco de manifestações em outros casos como esse.

Os manifestantes levavam flores e velas, além de adesivos com a inscrição “Não espere perder um amigo pra mudar sua atitude no trânsito” e flyers divulgando que “Hoje mais um ciclista morreu em SP. Motorista respeite os ciclistas e ajude a humanizar o trânsito”. O grupo ainda pendurou uma ghost bike, uma bicicleta pintada de branco para representar um ciclista morto.

Uma das faixas da via ficou bloqueada por manifestantes e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) recomendou aos motoristas que evitassem a região. Pouco após o acidente, a CET já havia registrado outra manifestação no local quando algumas pessoas interditaram o sentido Consolação da Avenida Paulista durante sete minutos, deitando no chão.

Mesmo com o ocorrido, os ciclistas garantem que não deixarão de pedalar. “Quanto mais ciclista nas ruas, mais segurança a gente vai ter para pedalar. Nós não podemos desistir. O que precisamos é de mais amor no trânsito, mais respeito. Tem espaço para todo mundo nas ruas”, disse a amiga de Juliana, Flávia Pires, 35 anos. O que os manifestantes pedem é menos agressividades por parte dos motoristas. “Os motoristas, principalmente os de ônibus, dirigem com muita agressividade. A (avenida) Paulista, então, é terra de ninguém. Isso precisa acabar”, afirmou Bruno Gola, 24 anos.