Publicado em: quinta-feira, 01/03/2012

Morte no Hopi Hari: falha humana ocasionou o acidente

De acordo com Rogério Sanches, promotor de Justiça, a cadeira de onde a adolescente Gabriela Nichimura caiu estava inoperante. Ela morreu na sexta-feira (24), após cair do brinquedo La Tour Eiffel, no Parque Hopi Hari, na cidade de Vinhedo, interior de São Paulo.

“Essa menina ocupava uma cadeira inoperante há anos. Essa falha é uma falha decisiva”, afirmou o promotor. Na tarde desta quarta-feira (29) foram ouvidos os depoimentos da família da vítima e de dois funcionários que operavam o brinquedo no momento do acidente na sexta-feira.

Ademar Gomes, advogado da família da vítima entregou uma foto para a polícia, em que é possível ver Gabriela na cadeira da ponta esquerda do brinquedo e não no meio, como informou a Polícia Civil. De acordo com ele a adolescente estaria em uma cadeira que não foi analisada pela perícia, pois estaria “desativada para manutenção”. O brinquedo tem capacidade para 20 pessoas, mas segundo a polícia havia ao menos oito cadeiras desocupadas no momento da queda. A perícia realizada na segunda-feira (27) teria sido feita na cadeira errada.

Segundo o promotor fica cada vez mais evidente que a causa do acidente foi uma falha humana. “Hoje temos a certeza. Ela subiu em um colete inoperante. O fato é bem mais grave […] “Uma nova perícia no assento interditado do brinquedo mostra que ele faz um movimento de chicote”, informou. Ele ainda acrescentou que isso é o grau máximo de negligência, pois permitiram que ela sentasse em uma cadeira inoperante.

“A prima dela disse que ela ficou no nível dos olhos dela, como se ela tivesse ‘flutuando’ e tentado se segurar no dispositivo de segurança. No momento da frenagem ou até um pouco antes, já sem força para se segurar, ela efetivamente caiu. Ela entrou em uma verdadeira arma. Entrou em um brinquedo fatal”, completa o promotor.

Álvaro Santucci Noventa Júnior, delegado responsável pelo caso, confirmou que a cadeira estava com defeito. “Quando a atração é colocada em atividade, a trava se levanta e depois dá chicotada e abaixa fortemente”, explicou o delegado. Ele disse ainda que uma cadeira em manutenção pode ter sido usada pela garota. “A constatação muda totalmente o rumo da investigação. Fomos induzidos ao erro”, revelou. Testemunhas do acidente teriam dado a informação incorreta a respeito do assento em que Gabriela estava.

Em entrevista ao Fantático, exibida na noite do último domingo (26), Silmara Nichimura, mãe da vítima, contou que percebeu a falta de um fecho no assento do brinquedo em que Gabriela estava. “Eu falei para a minha filha ‘Está travado?’ E ela disse ‘Mãe, está travado’. Só que tem um outro fecho, como se fosse um cinto, e eu observei que o dela não tinha”, afirmou a mãe. Segundo ela, no momento um funcionário garantiu que não teria problema, que era seguro.

Entenda o caso

O acidente ocorreu na manhã de sexta-feira (24), no parque Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo. Gabriela Yukay Nychymura morava com a família no Japão e estava passando férias na casa de parentes, em Guarulhos, Grande São Paulo. Segundo o laudo médico, a jovem sofreu politraumatismo severo.

La Tour Eiffel, brinquedo em que o caso aconteceu, simula a queda de um elevador com 69,5, o equivalente a um prédio de 23 andares, e a queda pode atingir 94 km/h. Gabriela caiu do brinquedo em movimento e, de acordo com testemunhas, teria escapado da cadeira quando estava a cerca de 10 metros do solo.