Publicado em: quarta-feira, 29/02/2012

Morte no Hopi Hari: em depoimento, engenheiro do parque nega falha mecânica

Álvaro Santucci Noventa Júnior, delegado titular da Delegacia de Vinhedo, informou que o engenheiro de manutenção do parque Hopi Hari, na cidade de Vinhedo, interior de São Paulo, descarta a possibilidade de ter havido falha mecânica no brinquedo La Tour Eiffel, que matou a adolescente Gabriela Yukari Nichimura na sexta-feira (24).

O engenheiro detalhou para a polícia os procedimentos de funcionamento e manutenção do parque. De acordo com o advogado do Hopi Hari, Alberto Zacharias Toron, o parque realiza todos os procedimentos de segurança e que é ‘impossível uma falha mecânica’.

Segundo o delegado, cinco operadores do brinquedo estão afastados e recebendo auxílio psicológico. Ainda não há data para que eles prestem depoimentos. Os pais de Gabriela devem falar ainda essa semana, mas os depoimentos também não foram marcados ainda, já que a família está muito abalada com o caso.

Três testemunhas do acidente foram ouvidas. Uma delas, Cátia Damasceno, relatou que o dispositivo de segurança teria se aberto durante a descida do brinquedo. “No primeiro ‘tranco’ da descida, eu vi a trava do assento dela abrir. Só a trava dela abriu. “Depois disso, o corpo dela foi lançado para o chão”, contou.

Falha humana é a provável causa da queda

De acordo com Nelson Patrocínio da Silva, perito criminal, caso o equipamento de segurança estivesse travado antes de o brinquedo subir, não seria possível que ele se soltasse durante a descida. “Pelos testes que realizamos, não teria chance de isso acontecer. Mas só o laudo final vai dizer se, no caso dela, o brinquedo saiu destravado [do chão]”, disse o perito, que completou afirmando que talvez o problema esteja na liberação do brinquedo antes de ele subir.

Em entrevista ao Fantástico, exibida na noite do último domingo (26), Silmara Nichimura, mãe da vítima, contou que percebeu a falta de um fecho no assento do brinquedo em que Gabriela estava. “Eu falei para a minha filha ‘Está travado?’ E ela disse ‘Mãe, está travado’. Só que tem um outro fecho, como se fosse um cinto, e eu observei que o dela não tinha”, afirmou a mãe. Segundo ela, no momento um funcionário garantiu que não teria problema, que era seguro.

Entenda o caso

O acidente ocorreu na manhã de sexta-feira (24), no parque Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo. Gabriela Yukay Nychymura morava com a família no Japão e estava passando férias na casa de parentes, em Guarulhos, Grande São Paulo. Segundo o laudo médico, a jovem sofreu politraumatismo severo.

La Tour Eiffel, brinquedo em que o caso aconteceu, simula a queda de um elevador com 69,5, o equivalente a um prédio de 23 andares, e a queda pode atingir 94 km/h. Gabriela caiu do brinquedo em movimento e, de acordo com testemunhas, teria escapado da cadeira quando estava a cerca de 10 metros do solo. Segundo o delegado da Policia Civil de Vinhedo, Álvaro Santucci Noventa Júnior, uma falha no cinto de segurança ou na trava do brinquedo teria levado à queda da jovem. “Pelo que apuramos, essas cadeiras (do brinquedo) descem em queda livre e ao atingirem aproximadamente 30 metros do solo é iniciado um processo de frenagem”, explicou o delegado.