Publicado em: sexta-feira, 28/02/2014

Morre aos 99 anos Ernesto Paulelli, que inspirou Adoniran Barbosa

Morre aos 99 anos homem que inspirou Adoniran BarbosaArnesto encerrou seu último samba. Na tarde da última quarta-feira, o destino levou embora Ernesto Paulelli, que inspirou o famoso “Samba do Arnesto”, de Adoniran Barbosa. Ele estava internado desde o último dia 21, após uma fratura no fêmur, e os 99 anos de idade pesaram para que o corpo não resistisse mais.

Eternizado por uma das músicas mais conhecidas do samba, Arnesto deixa dois filhos, dez netos e nove bisnetos. Sobre a fama de dar bolo nos amigos, ele sempre desmentia com um grande sorriso, afirmando que jamais convidou Adoniran para um samba em sua casa. A brincadeira sadia rendeu muita amizade e muito sucesso para os dois companheiros.

Ernesto Paulelli chegou a relatar, em uma entrevista, que tirou satisfação quanto ao que Adoniran insistia em espalhar na música (em tom amistoso, é claro), e contou que o sambista, com o ar “fanfarrão” já conhecido, pediu para que o amigo segurasse a encrenca. Os dois se conheceram quando trabalhavam nas rádios paulistanas, em 1938, e a música foi feita quase 20 anos mais tarde. Composição que, segundo ele, era como uma segunda certidão de nascimento, que “mudou” seu nome. Arnesto sempre declarou que a homenagem do amigo foi o maior presente que ganhou na vida.

A partitura original do “Samba do Arnesto” era guardada pelo inspirador da composição como um grande tesouro. O papel leva uma dedicatória do amigo, que diz: “Ao acadêmico Ernesto Paulella (sic), a quem dediquei esta composição quando do seu lançamento, em maio de 1955. Homenagem do autor, Adoniran”.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, Ernesto Paulelli não era músico por profissão. Dedicou boa parte da vida ao comércio, até que realizou o sonho de se formar em Direito, carreira que seguiu até os 90 anos, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e decidiu interromper a carreira como advogado.

Nos últimos 9 anos de vida, já com a saúde debilitada, Arnesto, que sempre morou na Mooca e não no Brás, não abandonou o violão, que sempre teve como um hobby, e aproveitou o tempo livre para estudar teoria musical.