Publicado em: quarta-feira, 28/03/2012

Millôr Fernandes morre aos 87 anos em sua casa no Rio de Janeiro

“E o mundo amanheceu bem menos crítico e sem graça”, comenta uma das fãs de Millôr Fernandes no Facebook. Um dos maiores artista, jornalista, cartunista, tradutor, faleceu na noite desta terça-feira, 27 de março, em sua casa no Rio de Janeiro.

O motivo da morte de Millôr foi falência múltipla dos órgãos, conforme informou o filho do cartunista. No início de 2011, o também humorista – e tantas coisas mais – sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico e passou pelo período de recuperação e acompanhamento em sua própria residência. Em junho do mesmo ano, foi diagnosticado com pneumonia, o que o fez voltar para o hospital.

Apesar dos problemas de saúde aparecendo, Millôr não deixou o trabalho de lado. Mantinha uma conta no Twitter, que possui mais de 250 mil seguidores, e também um saite (como ele mesmo se referia) hospedado no UOL. A página da internet concentra boa parte das obras do jornalista, que também foi um dos fundadores do jornal O Pasquim.

Vida e obra

Millôr Fernandes nasceu no Rio de Janeiro, no bairro do Méier. Leonino, nasceu no dia 16 de agosto de 1923, mas foi registrado somente no ano seguinte, no dia 27 de maio. Assim que completou um ano de idade, perdeu o pai; e ao completar 10, ficou órfão de mãe.

O nome curioso veio com um erro de digitação em sua certidão de nascimento, onde deveria vir escrito Milton e veio Millor, graças ao ‘N’ incompleto e ao ‘T’ parecido com o ‘L’. E assim passou a ser chamado quem iria vir a se tornar um dos maiores nomes dos intelectuais brasileiros do século vinte.

A obra de Millôr é extensa. Sua carreira começou muito cedo, passando pelo jornal Diário da Noite, as revistas O Cruzeiro e A Cigarra (onde criou seu pseudônimo, Vão Gogo), foi um dos fundadores d’O Pasquim; foi um dos maiores críticos da política de nosso país e o principal tradutor das obras de Shakespeare.

Também escreveu livros, como o ‘Eva Sem Costela’, que foi a sua primeira obra como escritor, de 1946; escreveu poesias (organizadas em vários livros, como ‘Papaverum Millôr’, ‘Poemas’), Hai-Kais, charges, peças teatrais, programas de TV e roteiros para cinema. Entre as principais publicações de Millôr estão os livros ‘A Bíblia do Caos’ e ‘Fábulas Fabulosas’.