Publicado em: terça-feira, 04/09/2012

Mensalão – Relator do mensalão vota pela condenação de dois réus do Banco Rural

Mensalão - Relator do mensalão vota pela condenação de dois réus do Banco RuralO ministro revisor do processo conhecido como mensalão, Ricardo Lewandowski, seguiu o voto do relator do processo, o ministro Joaquim Barbosa e votou, ontem (3), na sessão ocorrente no Supremo Tribunal Federal (STF), pela condenação de Kátia Rabello e José Roberto Salgado, que são, respectivamente, ex-presidente e ex-vice-presidente operacional do Banco Rural. Eles foram condenados por gestão fraudulenta da instituição financeira.

A condenação foi em razão dos empréstimos que foram concedidos pelo banco às agências SMP&B e Grafitti, ambas do publicitário Marcos Valério, bem como ao PT. O publicitário é apontado como operador do esquema que ficou conhecido nacionalmente como mensalão. Lewandowski vai retomar a palavra ainda essa semana, na próxima quarta-feira (5) onde irá votar as condutas dos réus Ayanna Tenório, ex-vice-presidente do Banco Rural, e Vinícius Samarane, que era diretor estatutário e é o atual vice-presidente da instituição.

Antes do revisor, o ministro relator Joaquim Barbosa, condenou Tenório e Samarane, e também Rabello e Salgado. Como justificativa do voto, o relator declarou que os réus do Banco Rural atuavam de maneira extremamente orquestrada, “típica de um grupo criminoso organizado”.

Os quatro réus foram acusados de envolvimento no esquema por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta da instituição financeira e também de evasão de divisas. De todas essas acusações, menos Ayanna Tenório foi acusada apenas dos três primeiros delitos. O revisor e o relator votaram unicamente no que diz respeito à gestão fraudulenta, deixando os demais crimes para serem julgados em outro item.

Para a Procuradoria Geral da República, que foi o órgão autor da denúncia, o Banco Rural disponibilizou pouco mais de R$ 3 milhões para o PT e mais R$ 29 milhões para as agências de Marcos Valério, por meio de empréstimos que continham fraudes, para financiar o “valerioduto”, que foi usado na compra de apoio de diversos parlamentares aliados no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Seguindo Barbosa, o revisor considerou que os empréstimos continham fraudes: “Não apenas as concessões dos empréstimos, aqui tratados, e suas sucessivas renovações, em total desacordo com as mais comezinhas normas de prudência bancária, como também o reiterado mascaramento da classificação de riscos, caracterizam a saciedade de gestão fraudulenta de instituição financeira”, informou.