Publicado em: quinta-feira, 06/03/2014

Marcas de grife têm vergonha de seus clientes mais pobres, diz Data Popular

Marcas de grife têm vergonha de seus clientes pobresO rolezinho, movimento que ganhou os noticiários de todo o país, trouxe para a discussão a segregação social que vigora no país e do preconceito não deixou de ser exclusivo da população. De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Data Popular, além das pessoas, foi constatado que as marcas, sobretudo as de grife, têm preconceito com os clientes menos favorecidos.

O diretor do Instituto, Renato Meirelles, revela que a grande maioria das marcas faz de tudo para que os mais pobres não estejam vinculados à imagem da empresa. Há marcas que desde a fundação sempre tiveram um posicionamento de mercado voltado à elite, mas que mesmo com o aumento do poder aquisitivo das classes C e D, fazem questão de demonstrar o desconforto frente a situação.

Meirelles revela, também, que os rolezinhos fizeram com que as marcas que até então não estavam em evidência, tornassem presentes à vida dos frequentadores.
Economistas vêm a situação como uma oportunidade de estas empresas aumentarem o faturamento e mostrarem que a moda é democrática. Meirelles, por exemplo, recomenda que as marcas vejam a associação como um lado positivo, pois de alguma forma, outros públicos ficaram atraídos pelos produtos. “Talvez seja o momento das marcas fazerem um reposicionamento”, comenta.
Segundo os dados do Data Popular, os jovens da classe C possui maior renda que a junção das classes A, B e D. Com um valor de 130 bilhões de reais, o jovem da classe C mostra que tem poder aquisitivo e pode consumir mais do que os mais ricos. No ano passado, a periferia paulistana consumiu 100 bilhões a mais que os mais ricos, reiterando os dados coletados.
Nos últimos dez anos, a renda dos mais pobres cresceu quase 50%, contra 13% de aumento na renda dos mais ricos. Meirelles vê o crescimento da renda uma oportunidade das marcas de grife quebrarem barreiras e preconceitos, e buscarem novos nichos de mercado.