Publicado em: segunda-feira, 17/06/2013

Manifestantes de São Paulo se reúnem com cúpula do governo

Manifestantes de São Paulo se reúnem com cúpula do governoIntegrantes do movimento que protesta contra o aumento do valor do transporte coletivo em São Paulo se reuniram na manhã desta segunda-feira, dia 17 em com líderes da segurança pública estadual para discutir os trajetos que serão adotados pelo movimento e evitar conflitos entre polícia e manifestantes.

Estiveram no encontro, na seda da Secretaria de Segurança, na região central da cidade, Fernando Grella, secretário de Segurança Pública; o comandante-geral da Polícia Militar, o coronel Benedito Roberto Meira; o padre Julio Lancelotti; Mauricio Blazek, delegado-geral; o promotor de Direitos Humanos Eduardo Valério; promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Ribeiro Lopes; integrantes da ONG Educafro e integrantes do movimento que faz a organização dos protestos.

Em entrevista no domingo, dia 16, Grella havia dito que o propósito da reunião desta segunda era garantir o direito à manifestação. Para isso, o secretário esperava que os manifestantes divulgassem com antecedência o trajeto para que a Polícia Militar pudesse planejar com antecedência formas de diminuir o encontro do protesto com o restante da população, deixando as ruas bloqueadas, evitando prejuízos à população.

Em entrevista antes da reunião Caio Martins, estudante de História e integrante do movimento afirmou que o trajeto dos protestos não seria divulgado. Eles argumentam que o objetivo não era negociar o trajeto, porque isso não importa ao governo. A intenção era conseguir que o aumento no valor da passagem fosse revogado. A expectativa, segundo o estudante, é que a polícia faça a operacionalização do trajeto e que deixe de infiltrar policiais entre os manifestantes.

Quanto aos transtornos causados pelo protesto, Rafael Siqueira, professor, disse que não é o movimento que faz com que São Paulo pare. E que fechar uma rua hoje significa abrir um caminho para amanhã.

Siqueira também ressaltou que, quanto aos atos de violência causados pelos manifestantes, o movimento não tem como controlar porque vários grupos participam da manifestação. Siqueira também argumentou que se os únicos que podem controlar a revolta são o governador e o prefeito, revogando o aumento da tarifa.

Sem violência

O governador Geraldo Alckmin, e a cúpula de segurança do Estado orientaram os policiais militares sobre como agir durante os protestos apontando que ele só devem agir em casos de vandalismo ou provocação. Os policiais também estão proibidos de atirar balas de borracha.

A determinação foi causada devido ao grande número de feridos no último protesto, realizado na quinta-feira, dia 13, na Avenida Paulista. Manifestantes e jornalistas foram feridos por balas de borracha. Um fotógrafo, inclusive, corre sério risco de perder a visão de um olho devido ao ferimento causado por uma destas balas.

Outro objetivo do governo é conseguir que os protestos não sigam mais pela avenida Paulista. O argumento é que existe um número grande de hospitais nesta região e com o tráfego comprometido, o atendimento aos pacientes fique comprometido.

Jornalistas que atuarem na cobertura da manifestação serão devidamente identificados com o uso de coletes e a Secretaria da Segurança orientará comerciantes e empresários que trabalham em regiões onde acontecem os protestos para que os funcionários sejam liberados mais cedo. Além disso, serão alteradas rotas de ônibus a partir do momento em que o trajeto dos protestos sejam definidos.

Grella aponta que a Tropa de Choque não precisará mais estar presente nos protestos, pois acredita que as manifestações seguirão de forma pacífica. O secretário também apontou que ninguém mais vai ser detido por carregar vinagre. Em protestos anteriores, diversas prisões aconteceram de forma arbitrária, incluindo jornalistas que carregavam vinagre para diminuir os efeitos causados pelo gás lacrimogêneo.