Publicado em: sexta-feira, 14/06/2013

Mais de 200 pessoas são detidas em mais um protesto

Mais de 200 pessoas são detidas em mais um protestoNa quinta-feira, 200 pessoas foram detidas durante mais um protesto contra o aumento do preço da passagem de ônibus em São Paulo. Destes, quatro ainda permaneciam presos nesta sexta-feira, dia 14, pela manhã.

Na manifestação desta quinta-feira, novamente houve confronto entre os participantes e polícia, que agiu de maneira repressiva para evitar que o protesto chegasse até a Avenida Paulista. No tumulto, jornalistas foram feridos por balas de borracha e alguns foram detidos. Mais uma vez, manifestantes picharam ônibus e bancas que vendem jornais.

A polícia informa que os manifestantes que ainda permaneciam detidos nesta sexta-feira vão responder por formação de quadrilha e dano ao patrimônio. Apenas a Justiça pode arbitrar fiança neste caso. Assim, até que isso não aconteça, eles permaneciam no 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, na região central de São Paulo, esperando ser transferidos para Centro de Detenção Provisória.

Como foi

O protesto desta quinta-feira iniciou no fim da tarde em frente ao Theatro Municipal, na região central da capital paulista. A Polícia Miliar aponta que nas abordagens foram apreendidas facas, coquetéis molotov e maconha. A delegada Vitória Lobo Guimarães explica que até o começo da madrugada de sexta-feira, 198 pessoas tinham sido detidas e permaneciam no 78º Distrito Policial, nos Jardins. Embora todos tenha sido liberados, quatro vão precisar responder por termo circunstanciado; um por resistir à prisão e três por porte de entorpecentes. Além disso, cinco pessoas foram encaminhadas para o 1º Distrito Policial.

Durante a manifestação, foram ocupadas as ruas Xavier de Toledo, o Viaduto do Chá e a Avenida Ipiranga. A polícia estima que cinco mil pessoas tenham participado do quarto protesto contra o aumento da passagem. Os participantes usavam narizes de palhaço e máscaras. Eles defendem que o aumento da passagem é uma exploração à população.

Os confrontos com a polícia aconteceram na rua Maria Antônia, onde a Cavalaria da Polícia Militar se reuniu ao Choque. A Universidade Mackenzie, localizada na esquina d rua, teve suas portas fechadas.

Lídio, major da PM diz que havia um acordo com os manifestantes para que a avenida Paulista não fosse ocupada, mas esta medida não foi cumprida. Houve dispersão do movimento enquanto os integrantes tentavam seguir pela rua da Consolação, por volta das 19 horas. Enquanto parte dos manifestantes seguiu para a Avenida Paulista, que ficou novamente interditada, outra parte organizou barricadas na rua Fernando de Albuquerque com materiais queimados.

Policiais então atiraram gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes, que responderam jogando garrafas e pedras na direção dos policiais. Durante o tumulto, sete repórteres do jornal ‘Folha de S.Paulo’ foram atingidos, dois levaram tiros de balas de borracha no rosto. Cinegrafista também teve o rosto atingido por spray de pimenta usado por policial.

Fotógrafo do portal ‘Terra’ e jornalista da revista ‘Carta Capital’ foram levados para o 78º Distrito Policial, nos Jardins, mas foram liberados no início da noite.

Mesmo diante de tantos protestos, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, se mantém firme na decisão de não rever o reajuste das passagens. A justificativa é que mesmo com o aumento, o valor está abaixo da inflação. No início do mês, o preço da passagem de ônibus, metrô e trens de São Paulo aumentou de R$ 3 para R$ 3,20.