Publicado em: terça-feira, 04/02/2014

Mafalda completa 50 anos

Mafalda completa 50 anosNesta terça-feira, 4 de fevereiro, a personagem Mafalda chega a seus cinquenta anos, mantendo-se sempre atual. Seu espírito de rebeldia e inconformismo ainda faz muito sentido nos dias atuais. De acordo com Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino (o criador de Mafalda), a personagem ainda é atual porque muitas das questões por ela levantadas ainda não se resolveram nos dias atuais.

Homenagem

O meio século de vida de Mafalda foi celebrado no Festival Internacional de Angoulême, principal evento mundial do segmento de quadrinhos. Quino não pôde ir à homenagem devido a problemas de saúde, mas conversou com os responsáveis pelo convite. Para o autor, é surpreendente que algumas tirinhas feitas há mais de quatro décadas ainda sejam aplicáveis atualmente.

A belíssima cidade de Angoulême está localizada no oeste da França. Com menos de cinquenta mil habitantes, a cidade realiza o Festival Internacional de Angoulême desde 1974. Atualmente, o evento recebe cerca de 200 mil pessoas por ano, dentre editores, roteiristas e, claro, fãs de quadrinhos. Na edição de 2014, foi possível passear por uma réplica do apartamento em que Mafalda vive com seus pais, além da sala de aula em que ela costuma expor muitos de seus questionamentos.

O evento contou também com os personagens Felipe, Manolito, Miguelito e Susanita, que costumam dividir espaço com Mafalda em suas tirinhas. O universo de Mafalda teve como inspiração a classe média progressista da Argentina na década de 1960. Na homenagem realizada na França, também foi possível encontrar tirinhas originais da personagem.

Histórias

Mafalda é uma criança de apenas seis anos, extremamente sincera e inconformada com a realidade à sua volta. A garota vive cercada por adultos que não conseguem responder à sua inquietude, dando respostas pouco satisfatórias para seus questionamentos. De certa forma, Mafalda é um reflexo de seu criador. Quino se define como um eterno pessimista, embora acredite que sua obra possa ajudar a mudar algo. Para o autor, praticamente todas as questões levantadas pela personagem ainda têm validade, o que, de certa forma, é um problema.

Outras homenagens

O grande prêmio do Festival Internacional de Angoulême de 2014 foi concedido a um personagem bem semelhante: Calvin, de Bill Watterson. Calvin foi publicado de 1985 a 1995, contando as histórias de um garoto igualmente inconformado, que divide a cena com Haroldo, seu tigre de pelúcia. Bill Watterson se aposentou em 1995, porque acreditava já ter alcançando todas as suas metas como quadrinista. Na premiação de 2014, Watterson competiu com nomes de peso, como Alan Moore e Katsuhiro Otomo.

Formado em Ciências Políticas, Watterson começou sua carreira de desenhista com charges políticas, mas logo começou a experimentar novos horizontes. Conhecido por sua timidez, Watterson ficou por muito tempo longe dos holofotes, além de ter criado fortes princípios para sua maior criação. O desenhista proibiu qualquer produto que utilizasse os personagens de Calvin, além de não autorizar qualquer adaptação para a TV ou o cinema. Atualmente, Watterson se dedica à família e à pintura. Até hoje, os livros de Calvin já venderam, mundialmente, mais de trinta milhões de unidades.