Publicado em: terça-feira, 29/05/2012

Lula diz que não sugeriu adiar julgamento do mensalão

O ex-presidente Lula se mostrou indignado com a reportagem publicada no fim de semana. A publicação da reportagem que diz que Lula pediu ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que o julgamento do mensalão fosse julgado só depois das eleições elevou a temperatura política em Brasília. A oposição pediu à procuradoria-geral da República para investigar o caso. De acordo com as informações, Lula se encontrou com Gilmar Mendes no dia 26 de abril. A reunião teria ocorrido no escritório de Nelson Jobim. Neste encontro, Lula teria pedido que o processo do mensalão fosse julgado somente depois das eleições para evitar inconveniente. Conforme informações da reportagem, o presidente também havia influenciado outros ministros como Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski.

Em troca do atraso no julgameno, Gilmar Mendes receberia blindagem nas investigações contra ele

Segundo a reportagem, Lula teria afirmado que em troca do atraso na votação do mensalão, Gilmar Mendes teria blindagem nas investigações do Congresso. Há boatos de que o ministro tenha viajado com o senador Demóstenes Torres para Berlim e a viagem tenha sido paga por Carlinhos Cachoeira. O ministro confirmou o encontro com o ex-presidente. Gilmar Mendes disse que Lula perguntou várias vezes sobre a CPMI e também disse que seria inconveniente a votação do mensalão neste momento. Segundo o ministro ele disse que o ideal seria que o julgamento fosse adiado.

O Instituto Lula confirmou, por meio de um comunicado que a reunião existiu, no entanto a versão dada pela reportagem da revista Veja é inverídica. Segundo Lula, seu sentimento é de indignação. Em nota, o presidente afirmou que jamais tentaria adiar o mensalão. Ele disse ainda que sempre respeitou a autoridade do judiciário durante seus dois mandatos e agora não seria diferente. Nelson Jobim foi visto no Congresso, mas não quis falar da reportagem. A reportagem foi tema dos discursos no Congresso, principalmente da oposição. Os senadores do PT defenderam a integridade do presidente.