Publicado em: sexta-feira, 17/02/2012

Lindemberg é condenado a 98 anos pela morte de ex-namorada

Lindemberg Alves, o motoboy de 25 anos, foi condenado ontem, quinta feira (16), a 98 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato da ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos.

Além deste crime, Lindemberg também foi condenado por outros 11, cometidos em outubro de 2008. Em todos os crimes, a juíza Milena Dias aplicou a pena máxima, afirmando que Lindemberg é perigoso.

Entretanto, ele deve permanecer preso no máximo por mais 26 anos e 4 meses, já que a sentença máximo no Brasil é de 30 anos. “O réu agiu com frieza, premeditadamente, em razão de orgulho e egoísmo”, estava escrito na sentença da juíza Milena Dias. Ana Cristina Pimentel, a mãe de Eloá, parecia aliviada após o anúncio. “Não vou ter a minha filha de volta, mas pelo menos vou ter justiça”, destacou.

Lindemberg ouviu toda a sentença de cabeça baixa, enquanto a mãe de Eloá chorava emocionada e era cumprimentada por quem acompanha ao júri, que durou quatro dias. De acordo com a Polícia Militar, aproximadamente 400 pessoas se aglomeraram em frente ao Fórum de Santo André (SP) para acompanhar o resultado. A multidão comemorou a decisão.

O julgamento

Depois de 50 horas de julgamento, os jurados ouviram a versão apresentada pela promotora de justiça, Daniela Hashimoto. Durante 90 minutos a promotora citou depoimentos das vítimas, laudos periciais e gravações do processo de negociação com a polícia para comprovar que o motoboy tinha planejado matar a ex-namorada.

A promotora usou o revólver 32 do acusado para ressaltar a personalidade agressiva do réu, apontando que ele tratava a vítima como um objeto. Segundo ela, Lindemberg teria confessado o crime apenas para atenuar a pena, sem mostrar nenhum nível de arrependimento.

“Vocês acreditam nesse rapaz bonzinho, que queria se encontrar com a namorada escondidinho e só agora pede perdão, diante da mídia?”, questionou a promotora. “Ou acham que ele é uma pessoa dissimulada, manipuladora, que tirou o irmão de cena para assegurar que Eloá não seria avisada?”.

A promotora também explorou as contradições entre as versões de Lindemberg e das vítimas e testemunhas. O réu teria afirmado que só fez uso da arma para acalmar as vítimas. Além de questionar se alguém ali ficaria calmo diante de uma arma, a promotora ainda afirmou. “A arma usada por Lindemberg tinha quatro cartuchos. Todos foram disparados, mas um picotou. Só depois de descarregar a arma é que a jogou no chão. Sabia que não teria outra chance de matar”.