Publicado em: sábado, 03/03/2012

Lei na Bahia determina que alunos rezem antes das aulas

A cidade da Bahia Ilhéus convive desde o começo do ano letivo 2012, dia 16 de fevereiro, com uma lei curiosa aprovada no final do ano passado pela Câmara de Vereadores.

A lei 3.589 determina que antes do início das aulas, todas as escolas municipais fiquem comprometidas a rezar um ‘pai nosso’ diariamente. A medida gerou polêmica na cidade, entretanto, de acordo com a secretaria de Educação, professores e estudantes já se acostumaram e até gostam da ideia.

A ficou conhecida como “Lei do Pai Nosso” e foi criada pelo vereador Alzimário Belmonte (PP), evangélico fortemente atuante na comunidade. De acordo com ele, a intenção não era obrigar ninguém a uma conversão, ou mesmo submeter outras religiões a fé cristã, e sim, apenas despertar nos jovens valores e reflexão. Ele também declarou que, no texto da norma aprovada, nenhum tópico cita “obrigação” às escolas de cumprir a reza.

Segundo Lidiney Campos, secretária de Educação da cidade, nenhuma escola relatou problemas com o cumprimento da determinação. Ela também argumentou que, apesar de existir uma consciência geral de o estado ser laico, e que na teoria, a lei é inconstitucional, a comunidade recebeu bem e celebrou a chegada da medida.

“Não tem nenhum tipo de pressão no ambiente da escola. Nós trabalhamos com o fato de que cada educador tem de agir de acordo com sua coerência. Claro que nós sabemos que o Estado é laico, mas ao mesmo tempo, dentro de várias escolas, muitos professores já tinham esta prática. Assim, quem já tinha esse costume continua. Alguns que não tinham agora aderiram e quem não quis, não reza”, explica a Lidiney.

Acostumados com a idéia

Depois do debate inicial, atualmente a situação está normalizada. A secretária revela que até o momento, nenhum pai ou aluno reclamou às diretorias das escolas ou à secretaria. “Não tivemos resistência. Nem de pais, nem do sindicato de professores e nem do conselho social. O que digo é que, dentro da rotina do ambiente escolar, nada mudou”.

Maria Aparecida Souza, diretora de um colégio na cidade, concorda com as declarações da secretária, afirmando que no cotidiano da escola a lei foi bem recebida e se tornou um costume cultivado. “Esta semana, por exemplo, começamos uma reunião de professores com uma oração espontânea e foi um momento bom. Os pais não reclamam de maneira nenhuma, pelo contrário. Pedem que orientem os filhos na escola. É importante que nós tenhamos valores religiosos na nossa educação. Deus está presente em todos os momentos de nossa educação”, revela a diretora.