Publicado em: segunda-feira, 09/04/2012

Juro continua alto para consumidor mesmo com queda da Selic

Com o surgimento das empresas pontocom e da recessão de 2009, a economia brasileira passou por diversas mudanças no século XXI. Além disso, foram três presidentes e todos fizeram mudanças nos ministros da Fazenda e também na direção do Banco Central. Nesse período também se criou o crédito consignado e o Brasil pagou a dívida externa. Durante esse tempo, a taxa básica de juros chegou a 26,5% e teve mínima de 8,75%. No entanto os juros de empréstimos bancários nunca ficaram mais baixos que 39%.

Neste mesmo contexto a inflação variou de 6,5% para 12,53%. A inadimplência alcançou 15,9%, mas voltou a 5,7%. Todos esses fatores, segundo uma pesquisa, parece não ter relação com o custo do dinheiro para o cidadão. Parece que a taxa de juros tem uma lógica própria que independe de outros setores da economia. Mesmo que a Selic chegue a 9% como pretende o Banco Central, isso não significa grandes alterações para o cidadão. Ao usar o crédito bancário, por exemplo, não quer dizer que ele terá uma taxa de apenas 9%.

Conforme explicou o professor de economia do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília, Newton Marques, o grande problema da não transferência da queda de juros para o cidadão são as operações concentradas em poucas instituições. Segundo o professor, há no Brasil um oligopólio em que alguns bancos é que determinam a taxa de mercado, por isso que ela não segue a lógica das mudanças citadas acima, principalmente da própria taxa Selic. Ainda na perspectiva de Marques, o governo nunca conseguiu intervir, de fato, na queda dos juros para o cidadão.

Já o professor de economia da escola de negócios Ibmec, José Ricardo da Costa e Silva, diz que essa concentração não explica os juros tão altos aplicados pelos bancos. Segundo ele a taxa vem caindo, mas de forma mais lenta, devido à volatilidade.