Publicado em: sexta-feira, 05/04/2013

Julgamento de trio que é acusado de executar casal de extrativistas no sudeste do Pará é retomado

Julgamento de trio que é acusado de executar casal de extrativistas no sudeste do Pará é retomadoO Tribunal do Júri da cidade Marabá no sudeste do Pará retomou durante esta terça-feira (04) o julgamento de três pessoas acusadas de terem matado o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.

O juiz Murilo Simão, que na sessão de quarta-feira (3) havia proibido imagens da sessão, autorizou que o julgamento fosse transmitido ao vivo depois de duras reclamações de jornalistas brasileiros e estrangeiros, além de ativistas sociais e ambientalistas e de representantes da Igreja Católica.

O segundo dia do julgamento iniciou na fase de debates. O promotor Danyllo Pompeu apresentou para os sete jurados, que são quatro mulheres e três homens, qual era a tese da condenação dos réus por terem cometido duplo homicídio qualificado.

Vestidos com o uniforme azul do sistema de prisão estão presentes no banco dos réus o agricultor José Rodrigues Moreira, que é acusado como o mandante do crime, o irmão dele Lindonjonson Silva Rocha que é apontado como o executor, e Alberto Lopes do Nascimento que foi acusado de ser coautor deste assassinato. Todos eles negam que tenham participado deste crime. O julgamento está previsto para ser concluído ainda nesta quinta-feira (4).

José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo fazia denúncias de madeireiros clandestinos e apareciam na lista da Comissão Pastoral da Terra dos líderes rurais que estavam sendo ameaçados de morte, eles foram mortos em 24 de maio de 2011. Conforme aponta a polícia, o motivo para o crime foi a disputa da posse de área no assentamento que o casal vivia, em Nova Ipixuna no Pará.

Na quarta-feira (3), 12 testemunhas de acusação e defesa chegaram a ser ouvidas, fora os réus do processo. Laísa Sampaio, irmã de Maria e testemunha de acusação, fez o relato de que o casal estava sofrendo ameaças e estava um conflito junto ao agricultor José Rodrigues Moreira, que é acusado como mandante deste caso. Um amigo do casal afirma que reconheceu o irmão de Moreira na cena do crime.

A defesa tentou descrever José Cláudio como sendo uma pessoa violenta e também relacionou o fazendeiro com outro assassinato. Uma testemunha de defesa foi acusada de ter dado um testemunho falso.

Este julgamento é visto por promotores e advogados como sendo um caso emblemático. Esta foi a primeira vez que um crime que gerou repercussão internacional é julgado na região sudeste do Pará, que é um local conhecido por ter uma grande tensão de conflitos de terra e por grande parte estar impune.

Depois de 1.018 mortes em conflitos de terra entre os anos de 1985 até 2011 na Amazônia, conforme apontam dados da Comissão Pastoral da Terra, só 30 casos chegaram a ser julgados até hoje. Os que tiveram ampla repercussão, como por exemplo, o massacre em Eldorado do Carajás no ano de 1996, e o assassinato da missionária Dorothy Stang no ano de 2005, não foram julgados ali e sim na cidade de Belém depois de pedidos dos acusados.

No ano de 2012 o Incra (órgão federal da reforma agrária) assentou em Praialta-Piranheira Antonia Nery de Souza, mulher de Moreira. A autarquia Federal pode rever benefício para a mulher do agricultor que é acusado de ser mandate do assassinato for condenado.