Publicado em: segunda-feira, 03/02/2014

Humanos herdaram o gene do tabagismo de neandertais

Humanos herdaram o gene do tabagismoDivulgado pela publicação científica Nature, estudo comprova que genes herdados dos neandertais podem ser os responsáveis por doenças que assolam o ser humano moderno. O homo sapiens (que é a nossa espécie) cruzou com neandertais quando deixou a África em direção à Europa, há mais ou menos 65 mil anos atrás.

Segundo pesquisa do genoma, entre 2% e 4 % do código genético atual de pessoas que não são africanos veio dos neandertais. Até então não se sabia quais implicações isso acarretava, agora, especula-se que esses genes interferem na pigmentação da pele, na depressão de longo prazo, no desenvolvimento da diabetes tipo 2, lúpus, cirrose biliar e doença de Crohn (que é uma inflamação no sistema digestivo).

Surpreende foi a descoberta que o gene associado à dificuldade em parar de fumar também têm origem Neandertal. Isso embora, logicamente, não haja nenhuma sugestão de que nossos antepassados neandertais consumissem tabaco naquela época. O que os pesquisadores dizem é que a mutação que esses genes sofreram até os dias de hoje é que pode ter mais de uma função e mais de um efeito no ato de fumar.

Mais pesquisas

Pesquisadores já descobriram que o DNA Neandertal não é uniformemente distribuído no genoma humano. Ele é encontrado nos genes responsáveis pelos filamentos de queratina, proteína responsável pela força da pele, unha e cabelos, o que ajudou os novos humanos a se adaptarem melhor à evolução, conferindo maior resistência ao frio quando migraram da África para a Eurásia.

Como algumas das áreas do nosso genoma não possuem vestígios desses genes neandertais, cientistas sugerem que alguns dos genes era prejudiciais ao desenvolvimento da prole humana e que, por isso, foram descartados rapidamente pela seleção natural. A prova seria que uma das áreas em que esses genes não atuam é justamente a relacionada ao cromossomo X, ligado ao sexo feminino, o que sugere que alguns híbridos (homo sapiens e neandertais) tinham a fertilidade reduzida. Entretanto, o pesquisador Sriram Sankararaman afirmou que são necessárias maiores pesquisas, tanto para conhecer o suficiente da genética Neandertal como para descobrir se as mutações em questão só aumentam o risco dessas doenças no homem moderno.

(Com informações da BBC)