Publicado em: sexta-feira, 02/03/2012

Hopi Hari anuncia fechamento e admite falhas no funcionamento do parque

A assessoria do parque Hopi Hari informou nesta quinta-feira (1), que a cadeira em que a adolescente Gabriela Yokuri Michelari utilizou estava interditada há cerca de dez anos. Ela morreu na sexta-feira (24) após cair do brinquedo La Tour Eiffel, uma das atrações do parque, na cidade de Vinhedo, interior de São Paulo. “Essa menina ocupava uma cadeira inoperante há anos. Essa falha é uma falha decisiva”, afirmou o promotor Rogério Sanches.

Segundo o delegado de Vinhedo, Álvaro Santucci Noventa Júnior, o gerente do parque recebeu com surpresa a notícia de que a cadeira inoperante em que Gabriela sentou teria sido usada. “Ele disse que ficou surpreso como nós porque sequer sabia que aquela cadeira havia sido utilizada”, afirmou. Sanches reforça a hipótese se falha humana. “O Hopi Hari não contesta o que foi descoberto. A investigação agora ganha contornos mais complexos, porque faltou vigilância, uma vez que aquela cadeira jamais deveria ter sido usada”, explicou.

Apesar de não ter nenhum aviso sobre a cadeira estar inoperante, ela nunca era usada porque as travas de segurança ficavam sempre abaixadas, impedindo que alguém sentasse ali. O advogado Alberto Toron disse que o Hopi Hari, assumiu que houve um erro. “Agora é preciso descobrir de quem foi a falha na manutenção, que levou ao desbloqueio da cadeira, e no atendimento ao público, por permissão para uso daquela cadeira”, esclareceu o advogado, completando que o parque irá colaborar com as investigações. “A verdadeira questão é saber quem liberou a trava”, afirmou.

A trava de segurança usada pelos visitantes existia também na cadeira inoperante, e era o que a fechava permanentemente, porém o cinto usado como segundo dispositivo de segurança não existia ali. O cinto foi uma exigência feita pelo fabricante (suíço) em 2003. “Mas, ao menos desde 2002 a cadeira não funcionava. Acreditando que a cadeira não seria utilizada, o parque não colocou o cinto naquele assento”, afirmou promotor.

Em entrevista ao Fantástico, exibida na noite do último domingo (26), Silmara Nichimura, mãe da vítima contou que percebeu a falta de um fecho no assento do brinquedo em que Gabriela estava. “Eu falei para a minha filha ‘Está travado?’ E ela disse ‘Mãe, está travado’. Só que tem um outro fecho, como se fosse um cinto, e eu observei que o dela não tinha”, afirmou a mãe. Segundo ela, no momento um funcionário garantiu que não teria problema, que era seguro.

Parque permanecerá fechado para perícia

Após reunião com o Ministério Público o Hopi Hari informou que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado e por isso o parque ficará fechado por 10 dias a partir desta sexta-feira (2) para a vistoria nos brinquedos, principalmente os que possuem sistema eletromecânico. “A diretoria do parque concordou prontamente porque tem plena consciência da correção dos seus procedimentos”, informou o advogado.

Entenda o caso

O acidente ocorreu na manhã de sexta-feira (24), no parque Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo. Gabriela Yukay Nychymura morava com a família no Japão e estava passando férias na casa de parentes, em Guarulhos, Grande São Paulo. Segundo o laudo médico, a jovem sofreu politraumatismo severo.

La Tour Eiffel, brinquedo em que o caso aconteceu, simula a queda de um elevador com 69,5 metros, o equivalente a um prédio de 23 andares, e a queda pode atingir 94 km/h. Gabriela caiu do brinquedo em movimento e, de acordo com testemunhas, teria escapado da cadeira quando estava a cerca de 10 metros do solo.